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Sei que é ilegal, mas não tenho controle, diz Bolsonaro sobre denúncia de caixa 2


Jair Bolsonaro (PSL) foi acusado de receber doações não declaradas através de compra de pacotes de mensagens contra o PT

Antônio Gabriel Machado
Antônio Gabriel Machado
Publicado em 18/10/2018 às 15:48
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O candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) respondeu a denúncia feita contra ele de que pacotes de disparos em massa de mensagens no WhatsApp contra PT estariam sendo comprados por empresas.

"Eu não tenho controle se tem empresário simpático a mim fazendo isso. Eu sei que fere a legislação. Mas eu não tenho controle, não tenho como saber e tomar providência. Pode ser gente até ligada à esquerda que diz que está comigo para tentar complicar a minha vida me denunciando por abuso de poder econômico", disse Bolsonaro ao site 'O Antagonista'.

A denúncia do jornal Folha de S. Paulo dá conta de que empresas estariam comprando os pacotes no valor de R$ 12 milhões, disparando até 100 milhões de mensagens contra os petista através do WhatsApp.

A prática é considerada ilegal por se tratar de doação de campanha por empresas de forma não declarada, algo vedado pela legislação eleitoral. A base de usuários do próprio candidato é utilizada, além de bases vendidas por agências digitais. Isso também se configura como uma prática ilegal, já que a legislação eleitoral também proíbe a compra de base de terceiros.

Mais cedo, pelo twitter, Bolsonaro afirmou que "apoio voluntário é algo que o PT desconhece e não aceita. Sempre fizeram política comprando consciências. Um dos ex-filiados de seu partido de apoio, o PSOL, tentou nos assassinar". Bolsonaro passou o dia de hoje em sua casa, no Rio de Janeiro.

Haddad promete acionar PF e Justiça Eleitoral

O candidato à Presidência da República pelo PT, Fernando Haddad, afirmou que pretende acionar a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral para 'impedir' a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), após denúncias de caixa 2 contra a campanha do capitão reformado. Através do twitter, o petista acusou o seu adversário de 2º turno de 'agredir violentamente a democracia'.

"Vamos acionar a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral para impedir o deputado Bolsonaro de agredir violentamente a democracia como ele tem feito. Fazer conluio com dinheiro de caixa 2 pra violar a vontade popular é crime. Ele que foge dos debates, não vai poder fugir da Justiça", disse Fernando Haddad através de sua conta no twitter.

Em nota, o PT também afirmou que entrará com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda nesta quinta-feira (18). O PDT foi outro partido que também prometeu entrar com ação contra a campanha do capitão reformado.

"Uma ação coordenada para influenciar o processo eleitoral, que não pode ser ignorada pela Justiça Eleitoral nem ficar impune. Os métodos criminosos do deputado Jair Bolsonaro são intoleráveis na democracia. As instituições brasileiras têm a obrigação de agir em defesa da lisura do processo eleitoral", diz a nota que ainda pede que Bolsonaro "responda por seus crimes".

Acusações de fake news

A campanha de Haddad já havia reclamado de supostas fake news espalhadas pela campanha de Bolsonaro nas redes sociais. Na última quarta (17), os petistas pediram que a Polícia Federal investigassem o capitão reformado e seu vice, o general Hamilton Mourão, por disseminação de notícias falsas.

Na última segunda-feira (15) o TSE determinou que Bolsonaro retirasse postagens, dirigidas a Haddad, de suas contas no Facebook e YouTube, entre elas a relacionada ao 'Kit Gay'.


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