Dor e revolta marcam sepultamento de comissário em Paulista

José Tadeu Vicente de Santana, 59 anos, foi vítima de um latrocínio nesta quinta-feira 1, em San Martin

DESPEDIDA
Dor e revolta marcam sepultamento de comissário em Paulista

Sepultamento do comissário de polícia José Tadeu Vicente de Santana, no cemitério Morada da Paz - Foto: Leo Motta/JC Imagem

Com informações do JC 

Sepultamento do comissário de polícia José Tadeu Vicente de Santana, no cemitério Morada da Paz
Sepultamento do comissário de polícia José Tadeu Vicente de Santana, no cemitério Morada da Paz
Leo Motta/JC Imagem

Dor e revolta marcaram o sepultamento do corpo de José Tadeu Vicente de Santana, 59 anos, comissário aposentado da Polícia Civil, morto na tarde desta quinta-feira (1º), em San Martin, Zona Oeste do Recife. Velório e enterro ocorreram no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, no Grande Recife. José Tadeu era esposo da delegada Beatriz Gibson, titular da Delegacia de Crimes Contra o Consumidor e foi uma vítima de um latrocínio – roubo seguido de morte.


Muito abalada, a delegada Beatriz esteve no local durante todo o dia, amparada por uma irmã e pela filha do casal, mas não quis falar com a imprensa. O sepultamento ocorreu sob orações e aplausos dos familiares, amigos e colegas de profissão.

Em entrevista à TV Jornal, o delegado Jorge Ferreira contou que foi criado junto com Tadeu e soube da morte do amigo por WhatsApp. "Rezei para ser alguma dessas fake news. Diante disso tudo, fica a revolta", afirmou. Incrédulo, como a maioria dos presentes, um outro amigo do comissário, Henrique Leite, comentou que ele vestia a farda. "Ele era excelente no trabalho. Era mais que um colega, era um amigo mesmo", lamentou. Ele também informou que as investigações estão adiantadas e todos esperam que os responsáveis sejam identificados e presos.

O caso

O comissário, José Tadeu, foi assassinado após ser assaltado na tarde dessa quinta (1°) em San Martin, Zona Oeste do Recife. De acordo com a Polícia Civil, por volta das 15h30, o carro em que ele estava foi abordado por dois homens que atiram nas costas do policial aposentado. O veículo e a arma da vítima foram levadas.

Tadeu Santana foi socorrido por um cabo da polícia do Rio Grande do Norte, que passava pelo local no momento do crime. Ele chegou a ser levado para o para o Hospital Getúlio Vargas (HGV), no Cordeiro, Zona Oeste da cidade. A equipe médica da unidade de saúde tentou reanimar o comissário aposentado, mas ele não resistiu aos ferimentos.

De acordo com o delegado Ricardo Silveira, responsável pelo caso, o comissário, aposentado há pelo menos 10 anos, estava indo deixar uma pessoa na residência dela, na Rua Otaviano de Almeida Rosa. Quando ele parou o veículo e destravou as portas, os dois homens armados realizaram a abordagem, um de cada lado. “A testemunha informou que os suspeitos mandaram que os dois descessem do carro e assim que o fizeram, ela ouviu um disparo. O comissário foi atingido nas costas e saiu cambaleando até cair atrás do veículo”, contou o delegado.

Segundo a PM, os suspeitos do crime fugiram levando o veículo, um Toyota Corolla de placa PCC-5444, e um revólver calibre 38 pertencentes ao policial aposentado.

Choque após o ocorrido

Após a morte ser confirmada, policiais e amigos do comissário começaram a chegar ao Hospital Getúlio Vargas. O coordenador setorial da Delegacia do Consumidor, André Leal, relatou que a delegada Beatriz Gibson soube da ocorrência quando estava em casa. “Ela ligou dizendo que tinha acabado de chegar em casa e tinha recebido a notícia, mas não tinha certeza, perguntando se eu sabia de alguma coisa. Foi quando eu desliguei o telefone, fui verificar e realmente confirmei o que tinha acontecido. Ela tinha acabado de chegar em casa, tinha vindo da casa da mãe, em Olinda”. Segundo André Leal, Beatriz “ficou apavorada” com a notícia da morte do marido.

O delegado Sérgio Barbosa, compadre de Tadeu Santana, relembrou o período em que trabalhou ao lado dele. “Estou realmente chocado. Esse comissário trabalhou comigo mais de 18 anos em várias delegacias, sempre me acompanhou. Ele é meu compadre, sou padrinho da única filha que ele tem com a delegada Beatriz. É como se tivesse morrido uma pessoa da minha família, um irmão. Ele era extremamente competente, uma pessoa estudiosa, sempre foi trabalhador, um exemplo de comissário”, disse.

Polícia Civil lamentou morte

Em nota, a Polícia Civil externou as “mais profundas condolências a família e aos amigos do ex-policial”.  De acordo com a instituição, equipes iniciaram as investigações e as buscas para identificar, localizar e prender os responsáveis pelo roubo seguido de morte.

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