Pondé critica Escola Sem Partido, mas diz que existe doutrinação

Para filósofo, projeto não é bom e atrapalha relação entre professor e aluno. Pondé, no entanto, diz que professores tem culpa e que doutrinação agora está exposta

ENTREVISTA
Pondé critica Escola Sem Partido, mas diz que existe doutrinação

“Sou contra filmar professores em sala de aula, porque isso destrói qualquer possibilidade de relação entre professores e alunos em sala de aula”, defendeu Pondé - Foto: Foto: divulgação

O filósofo e professor Luiz Felipe Pondé criticou hoje o projeto Escola Sem Partido e o discurso do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e seus seguidores, sobre os alunos filmarem e denunciarem os professores. Pondé, no entanto, disse que os professores tem “culpa no cartório” e que existe sim doutrinação nas escolas. A entrevista, concedida nesta quarta-feira (7) na Rádio Jornal, pode ser acompanhada na íntegra no áudio abaixo.

Escola e filosofia

Para Luiz Felipe Pondé, o Escola Sem Partido é prejudicial: “sou contra filmar professores em sala de aula, porque isso destrói qualquer possibilidade de relação entre professores e alunos em sala de aula”, defendeu.

Por outro lado, Pondé criticou os professores brasileiros: “não sou simpático à lei, mas sim ao barulho que a lei está fazendo. Não sou simpático a resolver tudo com lei. Grande parte dos professores prega mesmo, monta esquema que prejudica alunos, bolsas de mestrado, pesquisa. Universidade está longe de ser um espaço ético”, criticou.

Felicidade

De passagem no Recife, onde nasceu, para uma palestra sobre a felicidade, Luiz Felipe Pondé acredita que a polarização na política brasileira deve prosseguir mesmo após o desfecho das eleições. Ele acredita que assim como nos Estados Unidos, com a vitória de Donald Trump em 2016, existe aqui no Brasil um efeito de “trauma pós-Bolsonaro”, em especial entre os jovens.

O filósofo ainda defende que os eleitores de Bolsonaro estão felizes com a vitória do candidato, mas que essa felicidade encobre um medo do fracasso: “felicidade dos que venceram é relativizada pelo medo enorme que dê errado. O candidato não tem experiência no Executivo e tem pensamentos radicais”, explicou.

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