LUTO NO CANDONBLÉ

Morre no Recife o babalorixá pernambucano Pai Carlos de Xangô


O corpo de Pai Carlos será sepultado no Cemitério Memorial Guararapes. Em 2017, o babalorixá previu a eleição de Jair Bolsonaro

Maria Luiza Falcão
Maria Luiza Falcão
Publicado em 09/11/2018 às 9:32
Foto: Divulgação/Fundarpe
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Morreu na noite dessa quinta-feira (9), Pai Carlos de Xangó, um dos mais importantes representantes da religião de matriz africana em todo o estado. Segundo informações dos familiares, o babalorixá faleceu aos 65 anos vítima de um câncer de estômago.

O representante lutava contra a doença há cerca de dois anos. Pai Carlos sempre foi um defensor do Candomblé e lutou contra a intolerância religiosa. Saiba mais na reportagem de Rafael Carneiro:

O velório, que será aberto ao público, terá início às 8h desta sexta-feira (9) no Cemitério Memorial Guararapes, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. O sepultamento está marcado para as 16h.

Em entrevista a TV Jornal, no início deste ano, Pai Carlos se pronunciou contra a ação de um homem que havia sido preso por ser o suspeito de matar pessoas para realizar um ritual de magia negra. O babalorixá afirmou que em nenhuma religião de matriz africana existe sacrifício de ser humano. “Nós cultuamos o Candomblé, cultuamos a força viva da natureza, Oxum, cultuamos Oxalá, que representa a paz. A paz para o mundo, que é isso que nos apelamos dia a dia para acabar a violência e também essa discriminação com a nossa raiz africana", declarou.

Previsões

Pai Carlos era famoso pelas suas previsões sobre política, celebridades, futebol e todos os assuntos que se esperavam para o ano seguinte. No final do ano passado, em entrevista à Rádio Jornal, o babalorixá fez várias previsões a partir dos búzios. Em algumas, ele acertou ao afirmar que Jair Bolsonaro seria eleito presidente da república. Na época ele disse: "As pessoas acham que irá melhorar e não irá melhorar. Haverá revoluções, muitos levantes populares contra a aplicação do Regime que será colocado em nosso País", diz. "Será um ano muito difícil para nós brasileiros", lamenta.

Polêmica do boi

Uma das polêmicas mais conhecidas de Pai Carlos diz respeito a um boi que não teria sido pago pelo Sport. O clube rubro-negro teria prometido o animal em troca de ajuda para vencer a final do Campeonato Pernambucano de 2011, ante o Santa Cruz. O boi não foi pago e o Santa acabou sagrando-se campeão daquele ano.


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