ENTREVISTA

Não vejo problemas de ter tantos militares, diz Aldo Rebelo sobre Bolsonaro

Ex-ministro da Defesa no governo Dilma, Aldo Rebelo ressalta que são militares da reserva. Ele acredita que é muito ruim para o Nordeste e para o governo não ter nordestinos na equipe

Maria Luiza Falcão
Maria Luiza Falcão
Publicado em 17/12/2018 às 9:44
Bobby Fabisak/ JC Imagem
FOTO: Bobby Fabisak/ JC Imagem

Em entrevista à Rádio Jornal nesta segunda-feira (17), o ex-ministro da Defesa entre 2015 e 2016, Aldo Rebelo (Solidariedade), disse não ver problemas no alto número de militares no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL): o número é de sete, maior desde a redemocratização. Para o atual secretário da Casa Civil de São paulo, esse não será “o problema” da futura gestão. Escute na íntegra no áudio abaixo.

Ideologia e militarismo

Aldo Rebelo ressalta que a maioria dos militares escolhidos para a pasta são da reserva: “Essa é a principal reserva de segurança”, acredita. Ministro da Defesa em uma época de crise institucional no segundo mandato de Dilma Rousseff (PT), Rebelo disse que não viu nenhuma movimentação suspeita dos militares: “Não vi em nenhum momento, enquanto estive no Ministério da Defesa, militares querendo substituir os políticos. Eles só querem cumprir o papel deles”, afirmou.

Aldo Rebelo também falou sobre diferença ideológicas e disse que o governo Lula (PT) não foi de esquerda: “Lula não foi governo de esquerda, era um governo heterogêneo, de várias forças”, disse. Ele também relembra que a discussão sobre o italiano Césare Batisti ganhou cores ideológicas no Brasil porque a extradição foi negada por Lula. “Na Itália, direita e esquerda querem a extradição”, completou.

Desafios e ausência do Nordeste

Aldo Rebelo diz que o governo Bolsonaro vai enfrentar dificuldades com a formação dos ministérios e diz como principais problemas as pastas de relações internacionais e meio ambiente. Ele ainda fala dos desafios de um parlamento composto por muitos jovens, de primeiro mandato.

Nascido em Alagoas, Aldo Rebelo criticou que a futura gestão não vai ter nenhum ministro nordestino. “Acho lamentável. É consequência da própria dificuldade eleitoral do presidente eleito no Nordeste. É ruim para o Nordeste e ruim para o governo”, frisou.

Rebelo ainda disse que a região foi a que mais prosperou nas gestões do PT e agora é que a mais sofre e que será difícil a construção de políticas para melhorar a situação. Por fim, o ex-ministro acredita que a ausência de ministros nordestinos vai aumentar a resistência dos governadores e senadores da região. “Tem estados do Sul que têm mais de um ministro”, citou como exemplo.