Zona da Mata

Caboclos de lança se reúnem em encontros de maracatu em Nazaré da Mata


Encontro das nações de maracatu de baque solto ajuda a perpetuar o ritmo que, em 2014, recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil

Priscila Miranda
Priscila Miranda
Publicado em 04/03/2019 às 11:07
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O encontro de maracatu rural acontece nesta segunda-feira (4) no município de Nazaré da Mata, a 50 km do Recife. A cidade respira a tradição, que mistura elementos das culturas africana e indígena.

Em sua 19ª edição, o encontro das nações de maracatu de baque solto ajuda a perpetuar o ritmo que, em 2014, recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan.

Um dos grandes destaques é o caboclo de lança, personagem que representa a força do trabalhador do campo.

As madeixas douradas lembram os canaviais, as lanças de mais de 2 metros de comprimento, são adereços que compõem a coreografia.

Eles também carregam um surrão com sinos, que marcam o ritmo do baque solto. A fantasia chega a pesar mais de 20 quilos.

Atualmente, a tradição vem abrindo espaço para a diversidade.

Há 15 anos, o Maracatu Coração Nazareno quebrou um tabu e inseriu as mulheres nas posições que antes só eram ocupadas por homens. A nação reúne mulheres de diversos estados do Brasil.

O maracatu rural, ou maracatu de baque solto, é uma dança folclórica típica aqui da Zona da Mata pernambucana.

Ela surgiu no fim do século 19, influenciada pela cultura da cana- de-açúcar. As primeiras festas aconteciam nos engenhos, quando os trabalhadores do campo se reuniam para festejar, depois de trabalhar duro nos canaviais.

O ritmo é uma derivação do maracatu de baque virado, que nasceu no litoral de Pernambuco, como uma forma de celebração às religiões de matriz africana e ao povo negro.


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