DESOCUPAÇÃO

Edifício Holiday: comerciante consegue liminar para permanecer

Estabelecimentos do mesmo quarteirão do Edifício Holiday também receberam ordem de desocupação, mesmo não estando na estrutura do prédio

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 20/03/2019 às 16:30
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FOTO: Reprodução/ TV Jornal
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No último dia de desocupação do Edifício Holiday, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, um comerciante conseguiu uma liminar de funcionamento para o seu depósito de bebidas. O “Hélio Quentão”, localizado na Avenida Domingos Ferreira, pertence a Hélio Gomes, 65.

Na última sexta-feira (15), ele foi surpreendido por uma ordem de desocupação para o prédio onde funciona o seu estabelecimento há 30 anos, nas proximidades do quintal traseiro Edifício Holiday.

De acordo com Hélio, sua empresa tem 12 funcionários e ele procurou um advogado assim que foi notificado. “Graças a Deus eu tive essa grande surpresa hoje da liminar favorável. Estou feliz e espero que os todos outros entrem também com suas liminares e consigam”, comemorou, em entrevista à TV Jornal.

“Desde sexta-feira quando tomei conhecimento eu não estava dormindo direito, não comia, me desesperei. Mas através da minha família constituí um advogado e graças a Deus a decisão foi favorável a mim e todos os que trabalham comigo”, relatou Hélio.

Os outros 34 estabelecimentos que funcionam no mesmo quarteirão do Holiday também receberam a ordem. No entendimento da Defesa Civil, todos os prédios nesse local estão em risco, mesmo que não dividam a estrutura do edifício. Esse risco seria devido à proximidade com o prédio ameaçado, por ele ser de grande porte e poder afetar as áreas mais próximas.

O agravo de instrumento, que suspendeu temporariamente a ordem de desocupação, foi assinado pelo desembargador Márcio Fernando de Aguiar Silva, da 3ª Câmara de Direito Público do Recife. Procurado, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) afirmou que vai emitir uma nota sobre o caso ainda nesta quarta.

Drama do Holiday

O Holiday é um prédio da década de 1950, e foi construído em meio a alta especulação imobiliária da Praia de Boa Viagem, na época. O tempo se passou e o prédio começou a ser ocupado.

E hoje, nos 17 andares, moram cerca de 3 mil pessoas, nos 476 apartamentos que o Holiday tem. O grande problema é que o Holiday não vinha recebendo a assistência necessária. Por conta disso, a parte estrutural e as fiações elétricas do edifício foram se degradando. E esse foi o grande motivo para que na semana passada, a justiça determinasse a desocupação dos moradores do Holiday.

A medida de desocupação e interdição do Holiday foi tomada na terça-feira (12) em sentença dada pelo juiz Gomes da Rocha Neto, da 7ª vara da Fazenda Pública da Capital. A decisão saiu após requerimento feito pela Prefeitura do Recife, onde foi identificado que o prédio apresenta problemas estruturais e risco de incêndio, devido às precárias condições da rede elétrica do local.

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