Edifício

No último dia para desocupação do Holiday, moradores lamentam saída


Na manhã desta quarta-feira (20), algumas pessoas foram deixando o prédio, mas com um sentimento de dor e revolta

Priscila Miranda
Priscila Miranda
Publicado em 20/03/2019 às 9:11
Felipe Ribeiro/ JC Imagem
FOTO: Felipe Ribeiro/ JC Imagem
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O Holiday é um prédio da década de 1950, e foi construído em meio a alta especulação imobiliária da Praia de Boa Viagem, na época. O tempo se passou e o prédio começou a ser ocupado.

E hoje, nos 17 andares, moram cerca de 3 mil pessoas, nos 476 apartamentos que o Holiday tem. O grande problema é que o Holiday não vinha recebendo a assistência necessária. Por conta disso, a parte estrutural e as fiações elétricas do edifício foram se degradando. E esse foi o grande motivo para que na semana passada, a justiça determinasse a desocupação dos moradores do Holiday.

Até o momento, a administração do prédio informou que 70% das famílias já evacuaram o edifício. Esse número pode ter subido um pouco. Isso porque essa quarta é o último dia que as famílias têm para fazer a desocupação. E logo pela manhã, algumas pessoas foram deixando o prédio, mas com um sentimento de dor e revolta.

"A gente tem que sair hoje porque eles querem que a gente saia. Nós somos donos dos apartamentos, mas a gente vai fazer o quê? Ainda bem que a gente já tem onde morar, agora, e quem não tem? Vai pra um abrigo, vai ter muita dificuldade para pagar um aluguel”, desabafou um morador.

Na terça-feira (19), engenheiros voluntários estiveram em reunião com representantes dos moradores, da prefeitura, da defesa civil e dos bombeiros. Esses engenheiros emitiram um laudo técnico que afirma a possibilidade de uma reforma no Holiday, sem que os moradores precisem sair. De acordo com o representante do conselho dos moradores, Fernando Santos, hoje será ingressada uma ação no tribunal de justiça para tentar rever a medida de desocupação do Holiday.

“Vamos ver o que vai ser feito. Hoje acredito que os advogados já vão estar entrando de manhã, e também estamos esperando a URT, que é a ordem do engenheiro, para a entrada.

Segundo o síndico do Holiday, Rufino Neto, essa é a última esperança das famílias que ainda ocupam o prédio.

“Hoje é o nosso único traço de esperança, porque não temos mais para onde recorrer, para onde lugar.”

No momento, caminhões da Prefeitura do Recife ajudam na mudança dos moradores que estão saindo de forma espontânea. Além disso, a Defesa Civil está presente com assistência social e médica.


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