REDE ESTADUAL

Com recarga do Vem atrasada, estudantes entram em terminais sem pagar


Os estudantes alegam que desde o início do ano o Governo do Estado tem atrasado a recarga do Vem

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 11/04/2019 às 15:43
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Estudantes de escolas da Rede Estadual denunciam o atraso na recarga dos Vem Passe Livre, programa do Governo do Estado que permite a gratuidade aos alunos. O problema tem sido registrado desde o início do ano. Os discentes reclamam da ausência do depósito das passagens e do valor insuficiente da recarga. Como solução, alguns jovens estão entrando nos Terminais Integrados sem pagar a tarifa exigida.

A reportagem do Jornal Commercio apurou que, no Terminal Integrado de Pelópidas, os estudantes formam um grande grupo e entram pelo portão de saída dos ônibus. Segundo uma fonte que trabalha nas imediações do terminal, que não quis se identificar, as ações acontecem tanto durante o dia quanto a noite. Ainda segundo a pessoa, o ato costuma se repetir entre o final e o início dos meses.

O Vem Passe Livre foi criado pela Prefeitura do Recife, para alunos das escola municipais, e, posteriormente, ampliado pelo Governo à estudantes da rede estadual de ensino, em 2015. O programa foi uma das maiores vitrines da Campanha eleitoral do governador Paulo Câmara e uma das justificativas usadas para o aumento da tarifa das passagens de ônibus, que foi regulamentada este ano.

Rendimento escolar

Os estudantes alegam que o problema anda atrapalhando no rendimento escolar e, até mesmo, provocando evasão nas escolas. Maycom Douglas, de 16 anos, é aluno do segundo ano da Escola José Vilela, no bairro da Torre, Zona Oeste do Recife. O jovem afirmou que as dificuldades de locomoção o fizeram perder avaliações importantes no início desse período letivo.

"Está me prejudicando, e muito, na escola. Eu estava em recuperação e tive que faltar duas provas por causa do problema no VEM", lamentou. Ainda de acordo com o jovem, ele é obrigado a tirar dinheiro do próprio bolso, quando possível, para não correr o risco de perder o ano letivo.

Aluno do primeiro ano da Escola Tarjano, em Jardim São Paulo, Mendonça, Lucas Neto, 16, afirma que, além dos atrasos nas recargas, os créditos colocados não são suficiente para o durante todo o mês. "Quando faz recarga, entra 20 reais. Não é suficiente e nunca dá até o final do mês", argumenta o jovem. Cansado de 'ficar na mão' e ser barrado na catraca por saldo insuficiente, o estudante passou a ir a escola de bicicleta. "É um pouquinho longe e cansativo, porque é integral", se queixa.

Apesar de estudarem em instituições distintas, os jovens reclamam de um mesmo problema comum: a falta de esclarecimentos dos órgãos competentes. Maycom alega que, junto a sua mãe, procurou o Grande Recife para resolver o imbróglio. Porém, ouviu uma resposta pouco amistosa do atendente. "Ligamos para Grande Recife e o atendente disse que não era obrigação deles, e se a gente quisesse fosse colocar crédito com o próprio dinheiro", denunciou. Já Lucas, diz que telefonou e foi informado que a recarga havia sido efetuada. Quando o jovem foi verificar, o cartão eletrônico ainda estava zerado.

Problemas técnicos

Por meio de Nota, o Grande Recife informou que a recarga é feita todo final do mês. Porém, o órgão alega que no mês de março "houve um problema no processamento dos dados bancários", o que teria provocado o atraso. Ainda segundo o órgão, o problema foi resolvido e o pagamento realizado no dia 09 de abril. "Com isso, os créditos estarão disponíveis nos cartões dos estudantes na sexta-feira (12)", diz trecho da nota.

Sobre o saldo insuficiente, o órgão informou que "a concessão do Passe Livre está diretamente ligada à freqüência escolar do aluno. Por isso, analisamos cada caso separadamente solicitando o nome completo e o CPF do estudante. Ou seja, o aluno precisa ter utilizado, no mínimo, 50% dos créditos para receber o complemento da recarga do mês seguinte".


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