RECOMEÇO

Famílias vítimas de explosão reconstroem casas a partir de doações


Duas das quatro casas afetadas já estão sendo reerguidas através de vaquinha online e solidariedade dos vizinhos

Publicado em 02/05/2019 às 8:56
Alexandre Gondim/ JC Imagem
FOTO: Alexandre Gondim/ JC Imagem
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Menos de duas semanas se passaram desde que uma explosão com gás de cozinha deixou três mortos, feridos e quatro famílias sem teto no município de Camaragibe, no Grande Recife. Mas a força da solidariedade está ajudando a reerguer a dignidade das vítimas da tragédia, ocorrida na Sexta-Feira Santa (19). Duas das quatro casas atingidas já estão sendo erguidas na Rua Frei Serafim, bairro de Jardim Primavera. Uma vaquinha foi criada para arrecadar os R$ 100 mil necessários às construções. Até ontem, R$ 4,7 mil haviam sido doados.

Uma das residências derrubadas pela explosão é a do estudante Jackson Maia, 21 anos. Ele estava em casa com o pai quando tudo aconteceu. “Era cedo, por volta das 5h. Meu pai estava deitado no sofá e eu no chão, ao lado. A gente ia ligar a televisão, quando ouviu o barulho. Aí veio tudo abaixo. O sofá formou meio que uma casinha e protegeu a gente”, lembra. O pai teve arranhões pelo corpo e Jackson precisou levar dois pontos no queixo.

Depois do susto, veio o desespero. “Não deu pra salvar móvel nenhum. Consegui pegar um par de tênis novos e meu celular”, conta. O pai do estudante trabalha no Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa) e a renda da família não é suficiente para levantar uma nova casa. “As pessoas começaram a se mobilizar. Foram doando tijolos, janelas, materiais de construção e móveis. Recebemos tudo, até roupas. Outros se ofereceram para ajudar na construção, com a mão de obra” Assim, a casa começou a ser construída no última sábado.

Enquanto a residência não fica pronta, Jackson está morando com a mãe, na comunidade onde a tragédia aconteceu. O pai está provisoriamente na casa da avó paterna do estudante, em San Martin, Zona Oeste do Recife.

A explosão aconteceu em um imóvel onde funcionava o Caldinho do Gildo. Esse era o apelido de José Joaquim Ramos Filho, 77 anos, uma das vítimas fatais. De acordo com a Defesa Civil de Camaragibe, a tragédia aconteceu devido a um vazamento de gás de cozinha. Gildo teve mais de 90% do corpo queimado e foi levado para o Hospital da Restauração (HR), na área central do Recife, mas acabou falecendo no dia seguinte. A esposa dele, Adalva Cecília Ramos, 76, e o neto do casal, Felipe Henrique Ferreira, 17, morreram na hora. Os três foram enterrados no Cemitério Municipal de Camaragibe.

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Na mesma casa, que tem um primeiro andar, estavam Maria do Carmo Ramos, 60, irmã de José, e a neta dela, identificada como Bárbara Silva da Cunha, 18. A idosa teve fraturas pelo corpo e a adolescente, ferimentos leves.

Além das três casas, a Defesa Civil precisou demolir uma residência vizinha, que apresentava risco de desabamento. De acordo com Jackson, a prefeitura chegou a oferecer auxílio-moradia às vítimas, de cerca de R$ 200. “É um valor muito pequeno, não dá para nada.”

AJUDA

Sem recursos, as famílias apostam em uma corrente do bem que foi formada por outros moradores e pessoas desconhecidas. A vaquinha online está recebendo doações em dinheiro para as famílias até 31 de agosto. O objetivo é arrecadar R$ 100 mil. Também é possível ajudar doando materiais de construção, móveis, eletrodomésticos, artigos de higiene pessoal, alimentos e roupas diretamente no Loteamento Nazaré, onde ficam as casas afetadas.

Para doar, basta acessar https://www.vakinha.com.br/vaquinha/sos-vitimas-tragedia-do-loteamento-nazare-camaragibe-pe.


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