INVESTIGAÇÃO

Secretário investigado na Operação Convescote decide entregar o cargo


A polícia já tinha decretado seu afastamento quando a operação foi deflagrada

Pedro Guilhermino Alves Neto
Pedro Guilhermino Alves Neto
Publicado em 29/05/2019 às 12:18
Divulgação/Prefeitura de Paulista
FOTO: Divulgação/Prefeitura de Paulista
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Um dos suspeitos envolvidos na Operação Convescote, que foi deflagrada nesta terça-feira (28), decidiu entregar seu cargo. Trata-se do secretário de Políticas Sociais e Esporte do Paulista, Augusto Costa, que teve seu afastamento do cargo decretado pela polícia.

“Na verdade, o que ocorreu é que a Justiça de Pernambuco através da representação do delegado que presidiu a investigação, sentiu que havia sim a necessidade desse afastamento. É um afastamento por decisão judicial, tanto do secretário, quanto do pregoeiro, quantos dos três outros funcionários", explicou a delegada Sylvana Lellis, Gestora da Delegacia de Repressão Contra Crimes de Ordem Público (Draco).

Agora, a parta passa a ficar sob responsabilidade do chefe do gabinete do prefeito, Francisco Padilha, que deverá colaborar com as investigações das autoridades.

Segundo as investigações, alguns sócios de empresas, com a participação do pregoeiro, fraudaram uma licitação na cidade do Paulista, no Grande Recife,, cujo objeto era o fornecimento de gêneros alimentícios para duas casas de acolhimento vinculadas à Secretaria de Políticas Sociais da Prefeitura, com valores superiores a R$ 580 mil reais.

Além do secretário, mais três servidores estão sendo investigados pela operação, entre eles uma funcionária que seria namorada de um dos donos das empresas envolvidas no esquema. "Essa servidora foi nossa militante e teve a oportunidade de trabalhar no governo. Mas nós não sabíamos da relação pessoal que ela tinha com o empresário investigado. É bom deixar bem claro que a servidora era responsável por receber as pessoas que batiam a porta da prefeitura à procura de uma oportunidade”, comentou o prefeito de Paulista, Junior Matuto (PSB), em coletiva de imprensa na última terça-feira (28).

Já as empresas envolvidas, além da Secretária Políticas Sociais e Esportes, foram três: Kaluah Comercio de Alimentos Ltda (Recife), Milleniuns Comércio e Serviços Ltda (Paulista) e Araújo & Dantas Comércio Representações Serviços Importação e Exportação Eireli (Igarassu).

"Essas empresas atuavam em diversas cidades do estado de Pernambuco e as investigações vão atrás desses municípios para verificar que tamanho há também neles fraudes", completou Sylvana.

O JC entrou em contato com as três empresas, mas não obteve retorno. Já a prefeitura de Paulista informou que o gestor municipal estará à disposição das autoridades para ajudar nas investigações.

Operação

A operação é coordenada pela Diretoria Integrada Especializada (DIRESP), no Pacto Pela Vida, e vinculada ao Departamento de Repressão a Corrupção e ao Crime Organizado (DRACO). A execução da Convescote contou com 80 policiais civis de Pernambuco, entre delegados, agentes e escrivães.

Segundo a Polícia Civil, Convescote surgiu para desarticular uma organização criminosa que cometia fraudes em licitações, falsidade ideológica, corrupção passiva e corrupção ativa, além de associação criminosa. As investigações tiveram início em janeiro deste ano e cumpre dois mandados de prisão, cinco de afastamento das funções públicas e 15 mandados de busca e apreensão domiciliar.

"As investigações vão continuar, então a gente acho cedo indicar quem chefia, porque como a gente está ainda em investigação a gente pode chegar num patamar hierárquico ainda maior", disse a delegada.


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