A gente morreu também, diz irmão de farmacêutico morto em terminal de ônibus

O farmacêutico Cristiano Ledson Silva Amorim, de 45 anos, foi baleado durante uma confusão entre um ambulante e um vigilante no TI Pelópidas Silveira

TRISTEZA
A gente morreu também, diz irmão de farmacêutico morto em terminal de ônibus

A vítima estava no terminal de ônibus quando foi baleada - Foto: Reprodução/Facebook

Um homem de 45 anos morreu após ser atingido por uma bala perdida no Terminal Integrado Pelópidas Silveira, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife, na no fim da tarde desta sexta-feira (28). Familiares e amigos do evangélico da vítima cobram justiça. O corpo do farmacêutico Cristiano Ledson Silva Amorim está no Instituto de Medicina Legal (IML), no bairro de Santo Amaro, na área central do Recife. 

Marcelo Augusto, irmão do farmacêutico, conta que a família está muito abalada. "A gente se sente vulnerável. A gente está passando por um momento que ninguém merece passar. A gente perdeu o chão. A gente morreu também", disse. "O que eu vou dizer ao meu sobrinho quando ele perguntar: cadê papai?", desabafou. 

Ouça os detalhes no flash de Juliana Oliveira:

 

Ele relata que a família estava iniciando as comemorações dos festejos de São Pedro quando soube da morte de Cristiano. "Minha tia ligou em estado de choque informando que um filho da minha mãe tinha morrido. Eu estava na rua, minha mãe pensou que tinha acontecido alguma coisa comigo quando eu saí de casa para comprar refrigerante. Quando eu cheguei, eu vi que minha mãe tava chorando e ela falou que meu irmão Cristiano tinha sido assassinado no Pelópidas Silveira. A gente só teve certeza quando a gente ligou a TV e estava informando  que meu irmão tinha sido assassinado", detalhou. 

Ele contou que Cristiano era uma pessoa tranquila. "Meu irmão era evangélico desde os 14 anos. Era uma pessoa muito engajada na comunidade cristã, da Assembleia de Deus, nunca bebeu, nunca fumou. Ele fez a missão dele de passar a palavra para a comunidade", contou.

O crime 

O passageiro aguardava o ônibus no terminal para voltar para casa quando teve início uma confusão entre um vendedor ambulante e um vigilante. De acordo com a polícia, durante a discussão o comerciante informal tomou a arma do segurança. A discussão entre os dois teria sido motivada pela proibição da venda de produtos no terminal integrado.

O vigilante Fernando Azevedo de Araújo, de 63 anos, caiu no chão e não foi baleado. O trabalhador recebeu alta médica do Hospital da Restauração, no bairro do Derby, ainda na noite desta sexta-feira (28). O ambulante atirador ainda não identificado fugiu com a arma do vigilante e está sendo procurado pela polícia. 

Cristiano Ledson Silva Amorim era diácono atuante da Assembleia de Deus, Paratibe II, em Paulista. Ele trabalhava como farmacêutico, era casado, tinha seis filhos e muito querido na localidade e na igreja. O corpo dele será velado no templo, na Avenida Floresta, em Arthur Lundgren I, às 14h, e o sepultamento será no Cemitério de Paulista.

Resposta do Grande Recife 

O Grande Recife Consórcio de Transporte diz que é proibida a venda de produtos no interior dos ônibus e nas estações do BRT. No caso dos terminais integrados, existem os permissionários que passam por um processo seletivo e obedecem a normas. O assunto é polêmico, pois há quem defenda o comércio ambulante devido aos altos índices de desemprego.