Moro reitera que conversa entre juízes e promotores é trivial

O ministro presta esclarecimentos a três comissões na Câmara

POLÍTICA
Moro reitera que conversa entre juízes e promotores é trivial

O ministro compareceu ao CCJ para prestar uma audiência, junto com o procurador Deltan Dellagnol, sobre as conversas vazadas pelo site The Intercept Brasil - Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, reafirmou nesta terça-feira (2), que “são coisas absolutamente triviais no cenário jurídico” brasileiro conversas entre juízes, membros do Ministério Público e advogados. Moro é ouvido neste momento por três comissões da Câmara dos Deputados: Constituição e Justiça (CCJ); de Trabalho, Administração e Serviço Público; de Direitos Humanos e Minorias.

O ministro compareceu ao CCJ para prestar uma audiência, junto com o procurador Deltan Dellagnol, sobre as conversas dele trocadas com procuradores da força tarefa da Lava Jato com que estão sendo vazadas pelo site The Intercept Brasil.

“Vamos esclarecer que, na tradição jurídica brasileira, é comum que juízes falem com procuradores, é comum que juízes falem com advogados”, afirmou. “Isso são coisas absolutamente triviais dentro do cenário jurídico”, acrescentou ao reiterar o que já havia falado no Senado, no mês passado.

O ministro disse que consultou alguns colegas estrangeiros, e também obteve afirmações de pessoas estrangeiras, que também não vislumbraram qualquer maior ilicitude no conteúdo que foi divulgado pelo The Intercept Brasil.

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Moro foi convidado pelas comissões para apresentar sua versão sobre as supostas conversas dele com procuradores da força tarefa da Lava-Jato
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ministro reiterou que não reconhece o conteúdo das mensagens veiculadas pela imprensa e que elas podem ter sido adulteradas. Para ele, até o momento, as conversas atribuídas a ele “são um balão vazio cheio de nada”.

Moro foi convidado pelas comissões para apresentar sua versão sobre as supostas conversas que teria mantido com integrantes da força-tarefa quando ainda era juiz da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, onde são julgados os processos da Lava Jato que tramitam no Paraná.

Os deputados querem esclarecimentos sobre supostas conversas mantidas por meio de um aplicativo de troca de mensagens por celular obtidas por uma fonte anônima e entregues ao site The Intercept Brasil. O site está, desde o dia 9 de junho, publicando reportagens com base nos diálogos atribuídos ao ministro Sergio Moro e aos procuradores, entre eles, o coordenador da força-tarefa, o procurador Deltan Dallagnol.

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No último domingo (30), milhares de pessoas saíram na rua para demonstrar apoio ao ministro Sérgio Moro e a Lava Jato.
(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Ao abrir a audiência, o ministro argumentou ainda que a invasão de celulares de autoridades para obter mensagens faz parte de uma "tentativa criminosa de invalidar condenações" da Operação Lava Jato. No último domingo (30), milhares de pessoas saíram na rua para demonstrar apoio ao ministro Sérgio Moro e a Lava Jato.

“A minha opinião, e aqui é uma opinião informal, é que alguém com muitos recursos está por trás dessas invasões e que objetivo principal seria invalidar condenações da Operação Lava Jato e impedir novas investigações. Seria alguém com recursos, porque não é tentativa de ataque a um celular, mas tentativa de ataque a vários, em alguns casos talvez com sucesso, o que não parece corresponder à atividade de um adolescente com espinhas na frente do computador”, ressaltou.

O ministro disse que o ataque ao seu telefone particular não foi um ataque feito por gente profissional e não adolescente com o rosto cheio de espinha que fica na frente do computador e que as conversas que foram divulgadas estão descontextualizadas. A Polícia Federal está investigando o grampeamento e o vazamento das mensagens.

Confira os detalhes na matéria de Romoaldo de Souza:

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