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Preso preventivamente, suspeito nega ter jogado ácido em ex-esposa


Segundo a Polícia Civil, o suspeito e um amigo teriam utilizado ácido sulfúrico para ferir a jovem de 19 anos

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 09/07/2019 às 14:30
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A Polícia Civil confirmou nesta terça-feira (9) que a substância utilizada para ferir uma jovem de 19 anos no dia 5 de julho foi ácido sulfúrico. Inicialmente, havia a informação de que as queimaduras tinham sido provocadas por soda cáustica. O suspeito de cometer o crime, de 27 anos, se entregou à polícia nesta segunda (8) e foi preso preventivamente por lesão corporal e descumprimento de medida protetiva. Ele foi interrogado por cerca de duas horas e depois encaminhado ao Cotel, em Abreu e Lima.

A gestora da Delegacia da Mulher, Ana Elisa Sobreira, disse que o homem negou ter praticado o crime. “Ele diz que quem jogou foi o seu colega Paulo. Entretanto, ele se contradiz em alguns momentos porque ele diz que pediu para Paulo dar um susto. Então, ele tinha sim a intenção, ele tinha esse ácido. Ele diz que o objetivo dele era o objetivo de dar um susto, mas que não foi ele quem executou”, detalhou, acrescentando que o colega do suspeito também caiu em contradição.

Segundo a gestora, só ao final das investigações é que será possível confirmar quem jogou ácido contra a jovem.

O suspeito de ajudar o homem a cometer o crime, foi autuado por lesão corporal grave e resistência. “No momento da prisão, nossos policiais tiveram muita dificuldade em autuá-lo”, contou a delegada.

A delegada à frente do caso, Bruna Falcão, revelou que os dois já tinham passagem pela polícia. O ex-marido da vítima por estelionato e o seu amigo por tráfico de drogas e corrupção de menores.

De acordo com a assessoria de comunicação do Hospital da Restauração, o estado de saúde da estudante permanece grave. Ela continua sedada na UTI e respira com a ajuda de aparelhos. A jovem teve 38% do corpo atingidos com queimaduras de segundo e terceiro grau na cabeça, pescoço, tronco, membros superiores e coxas, além de um possível comprometimento da visão.

Confira os detalhes na reportagem de Marcela Maranhão:

Relembre o caso

Uma jovem de 19 anos sofreu queimaduras depois que um homem com a ajuda de um amigo jogou ácido sulfúrico no rosto da vítima. O crime aconteceu na noite desta quinta-feira (5) na casa da mãe da vítima no bairro de Nova Descoberta, Zona Norte do Recife.

Ela caminhava por uma escadaria, no bairro de Nova Descoberta, por volta das 23h, quando foi surpreendida pelo ex-marido, um agente de saúde, de 27 anos, e por um amigo dele, frentista. Os dois jogaram uma substância corrosiva na jovem e fugiram. Desesperada, ela começou a gritar.

Vizinhos tentaram jogar água na vítima, para tentar aliar a dor e o queimor, que eram muito grandes. Ela foi colocada dentro de um carro de um morador da área e levada às pressas para o Hospital da Restauração. A vítima deu entrada ainda consciente, mas teve que ser entubada.

A jovem teve queimaduras de terceiro grau no rosto, pescoço, tórax, braços, abdômen e coxas. Parte do cabelo dela chegou a cair.

A vítima e o suspeito foram casados por quatro anos e têm um filho de dois. A irmã da jovem, que pediu para não ser identificada, explica que o suspeito já torturava a mulher além de submeter a criança a maus-tratos. “Ela chegava em casa com marcas. Ela já chegou com queimaduras. Passou-se um tempo, ela engravidou. E era espancada também. Quando meu sobrinho nasceu, ele prendeu meu sobrinho, dentro do quarto, de camisa com o ar-condicionado ligado, e chorando”, contou.

Ainda de acordo com a irmã da vítima, houve negligência por parte da polícia. “Ela foi em delegacia e nada mudou. Os policiais não fizeram nada, ninguém fez nada para mudar alguma coisa. Ela foi agredida na frente do trabalho dela por duas mulheres e um homem. Ela foi na Delegacia da Mulher e nada. Só com medida [protetiva], mas ninguém prende ele. Minha avó teve que viajar pro interior com medo que ele fizesse alguma coisa com a minha prima ou com minha irmã. Eu quero que ele seja preso, porque o que ele fez foi uma crueldade. Minha irmã é capaz de ficar cega por conta dele”, denunciou a mulher.


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