Pesquisadora diz que não houve reversão da microcefalia

Há quatro anos, o Brasil enfrentou um surto de microcefalia

ZIKA
Pesquisadora diz que não houve reversão da microcefalia

O levantamento acompanhou 216 crianças nascidas de mães infectadas pelo zika - Foto: Divulgação/TV Brasil

A principal pesquisadora de um estudo que foi publicado na última segunda-feira (8) pela revista científica “Nature Medicine” afirmou que não há como reverter a microcefalia causada pelo zika vírus. A doutora em saúde da criança e do adolescente pela USP e professora titular da Fundação Oswaldo Cruz, doutora Maria Elizabeth Lopes, participou da pesquisa e rebateu a informação que veio a público na manhã desta quarta-feira (10) de que duas crianças teriam revertido o quadro.

Sobre a possibilidade de reversão da atrofia ligada à microcefalia em crianças que tiveram o tecido do cérebro destruído pelo vírus zika, a pesquisadora é categórica: não é possível reverter o quadro. “São duas crianças muito específicas cujos tratamentos foram capazes de reverter isso, mas não necessariamente a microcefalia causada pela destruição do parênquima cerebral do vírus zika. Era uma criança que teve uma restrição de crescimento intra-útero, porque ela tá evoluindo muito bem. E a outra criança tinha uma má formação esquelética (...) Na verdade, são duas condições muito específicas e a gente não pode dizer de forma nenhuma que houve uma reversão da microcefalia causada pelo vírus zika”, afirmou.

A pesquisa tem como título “Neurodesenvolvimento infantil tardio e alterações neurossensoriais durante o 2º ano de vida numa coorte prospectiva de crianças expostas ao zika vírus” e foi conduzida por pesquisadores da Fiocruz do Rio de Janeiro, junto a pesquisadores austríacos e alemães, e especialistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

O levantamento acompanhou 216 crianças nascidas de mães infectadas pelo zika e observou o avanço em dois casos analisados.  

Confira os detalhes:

Atraso de desenvolvimento 

A pesquisa apontou que 30% das crianças que foram expostas ao vírus durante a gravidez, mas não tiveram microcefalia, podem apresentar algum tipo de atraso de desenvolvimento. Logo, todas as crianças que tiveram contato com o vírus devem manter acompanhamento médico.

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