Tragédia

Médico comenta os riscos de vazamento de gás dentro de casa


Família de Santo André, em São Paulo, morreu vítima do vazamento de gás de um aquecedor

Priscila Miranda
Priscila Miranda
Publicado em 15/07/2019 às 11:17
Reprodução/Rádio Jornal
FOTO: Reprodução/Rádio Jornal
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Quatro pessoas da mesma família foram achadas mortas no domingo em um apartamento em Santo André, no ABC paulista. Elas foram vítimas de um vazamento de gás do aquecedor instalado no local. A taxa de monóxido de carbono medida pela perícia no apartamento foi mais de 20 vezes o nível tolerado pela saúde.

Os corpos foram encontrados pela irmã de uma das vítimas, que morava no mesmo prédio e estranhou a falta de notícias dos parentes desde que eles chegaram de uma viagem à Disney, na noite de sexta-feira.

Em entrevista ao Passando a Limpo na Rádio Jornal nesta segunda-feira (15) O médico urgentista João Veiga falou que episódios como esse acontecem com frequência e que a ação do monóxido de carbono é silenciosa.

Confira a entrevista com o médico na íntegra:

“Isso é uma coisa que acontece frequentemente, principalmente nos países mais frios. E é por negligência mesmo. O que aconteceu com essa família foi uma negligência porque o monóxido de carbono não é visto e nem tem odor, não tem cheiro nenhum. Quando ele entra em contato com a hemoglobina, que leva o oxigênio para todos os nossos órgãos, ele fica muito estável, ou seja, ele se adere muito à hemoglobina e não oxigena os órgãos. Então as pessoas morrem por causa disso.”

Em junho, antes de viajar, as quatro vítimas já haviam sido atendidas por um médico com crises de vômito e outros sinais de intoxicação. Na época, porém, foram diagnosticadas com sinusite e desidratação. Na mesma semana, uma calopsita de estimação da família morreu.

João Veiga esclarece que os sintomas de intoxicação com monóxido de carbono podem se confundir com outras doenças.

“É muito difícil chegar numa emergência se queixando de dor de cabeça e o médico pensar que a pessoa tem aquecedor em casa e houve escapamento de gás.”

Os corpos da família encontrada morta em Santo André, no ABC paulista, começaram a ser velados nesta segunda-feira (15) no cemitério Parque Vale dos Pinheirais, em Mauá, na mesma região. O velório começou às 6h, e o enterro está previsto para ocorrer às 16h.


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