América do Sul

Venezuela não se responsabiliza por óleo em praias do Nordeste


Comunicado foi feito um dia depois de o ministro Ricardo Salles afirmar que o produto encontrado em praias do Nordeste tinham características dos que são produzidos pela Venezuela

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 10/10/2019 às 13:16
Adema/Governo de Sergipe
FOTO: Adema/Governo de Sergipe
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Um comunicado conjunto emitido pelo Ministério do Petróleo da Venezuela e pela empresa estatal petrolífera PDVSA afirma que o governo do país não se responsabiliza pela presença do óleo encontrado na costa de vários estados do Nordeste Brasileiro. A resposta do governo venezuelano foi dada um dia depois das declarações feitas pelo ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles. Nessa quarta-feira (9), Salles disse que o produto encontrado no Brasil tinha características dos que são produzidos pela Venezuela. Na terça-feira (8), o presidente Jair Bolsonaro disse que o caso tinha características para ser considerado "criminoso".

"Não há evidências de vazamentos de petróleo nos campos de petróleo da Venezuela que possa ter causado danos ao ecossistema marinho de nosso vizinho", disse o comunicado do governo venezuelano. O texto fala ainda que o país, na pessoa das entidades que assinam o comunicado, considera as declarações "infundadas", segundo noticiado pela agência internacional de notícias Reuters.

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Produção Venezuelana

A Venezuela é um dos países que lideram a produção de petróleo no mundo. Nos últimos anos, no entanto, a produção venezuelana diminuiu por causa de sanções do governo dos Estados Unidos à PDVSA. A ação americana busca forçar a saída do presidente Nicolás Maduro. A PDVSA também enfrenta uma crise de má administração causada pela instabilidade democrática e institucional iniciada no segundo mandato de Maduro, que tem seu governo considerado uma ditadura por órgãos internacionais e por diversos países em vários continentes.

Na América do Sul, Jair Bolsonaro é um dos chefes de Estado que se posicionam de maneira crítica com relação ao governo de Maduro.

Análise

Até esta segunda-feira (7), a Petrobras já havia recolhido 133 toneladas de resíduos. Segundo o Ibama, o material oleoso é petróleo cru e, desde o dia 2 de setembro, se espalhou pelo litoral de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Nessa terça-feira (8), ao participar de uma audiência pública realizada pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse que análises laboratoriais confirmaram que a substância não provém da produção da estatal brasileira.


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