História de vida

A história de superação da mulher sobrevivente de três cânceres


Maria Luiza Rodrigues de Miranda descobriu o primeiro câncer enquanto amamentava a filha e passou por 28 cirurgias

Priscila Miranda
Priscila Miranda
Publicado em 14/10/2019 às 14:01
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Ouça a reportagem de Beatriz Albuquerque:

Quarenta e seis anos, três cânceres detectados e 28 cirurgias realizadas. Uma história que poderia ser marcada pela dor, mas que na vida de Maria Luiza Rodrigues de Miranda foi transformada em superação e amor ao próximo. Em 1997, ela vivia o momento mais especial da vida. Estava grávida e aguardava, ansiosa, o nascimento da filha. Mas durante o período de amamentação, ela reparou algo de diferente na mama.

“Eu ia trabalhar e a mama cheia de leite. Aí quando eu chegava em casa, estava tudo pedrado. Nasceu um cisco e eu procurei o Hospital do Câncer e o médico disse que tinha que fazer uma cirurgia. Quando foi no outro mês, ficou nascendo. Quase todo mês eu ficava fazendo cirurgia, tirando carocinho.”

Foram quatro anos de investigação e tratamento dos nódulos no seio. Mas em 2001, Luiza foi diagnosticada com um carcinoma, um tipo de tumor maligno que resulta no crescimento desordenado das células do corpo. Luiza Miranda comenta o apoio dos voluntários do hospital do câncer durante a fase de tratamento.

“Em 2001, nasceu outro, e esse foi um nódulo. Quando eu fiz a biópsia, deu carcinoma. Tive que fazer um quadrante. Fiz quimioterapia, radioterapia, fiquei me tratando no Hospital do Câncer. Com a ajuda do voluntariado, que sempre cuidou da minha pessoa”, relembrou.

Depois de curada desse tipo de tumor, Luiza sofreu novamente uma notícia que a abalou. A descoberta de um novo câncer aconteceu em 2005. Nesse momento, outro fator importante na trajetória de Luiza se torna fundamental: a fé.

“O médico até desenganou, que eu estava muito grave. Mas quando eu ouvi o médico falando, eu disse ‘meu Deus, quem pode tirar a minha vida é Jesus. Se ele me deixou é porque eu tenho que continuar fazendo pelo meu próximo. Então a minha fé é maior que tudo. Eu fui reagindo e me tornei uma voluntária aqui no hospital e sou até hoje.”

Em 2015, Maria Luiza Miranda enfrentou o terceiro câncer. Todos os processos foram feitos novamente e resultaram em uma rotina de cuidados, que ela precisa seguir até hoje. Luiza conta que muitas pessoas foram essenciais durante os últimos 23 anos. Ao falar de duas, em especial, ela se emociona.

“Eu não pude mais amamentar a minha filha, não pude mais colocar ela no braço, aí quem cuidava dela era a tia Neide, que é a segunda mãe. Eu tenho um carinho imenso por ela pelo que ela fez e pelo que faz pela minha filha. Tenho muita gratidão. E o meu esposo, que cuidava muito também. Só que em 2017 surgiu um tumor na cabeça dele e foi fatal.”

Para quem está passando pelo mesmo diagnóstico de Maria Luiza, ou outra dificuldade, ela deixa um recado.

“Eu estou aqui para ajudar, para animar, seja forte. Porque eu sou muito alegre, sabe? Quando toca nesse ferida, a gente fica bem sentimental, mostrando que eu sou feliz, graças a Deus.”


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