Desastre Ambiental

Governo de Pernambuco recomenda evitar banho de mar e contato com praias


A recomendação acontece por causa do aparecimento das manchas de óleo, que chegam às praias do Nordeste desde o início de setembro

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 23/10/2019 às 14:26
Bruno Campos/JC Imagem
FOTO: Bruno Campos/JC Imagem
Leitura:

O secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, recomendou nesta quarta-feira (23) que a população evite tomar banho de mar e manter contato com as praias que foram afetadas pelo óleo que chega trazido pelas correntes marítimas ao litoral do Estado. A recomendação do secretário serve também para a areia das praias, não apenas o contato com a água.

"A recomendação atual é evitar o contato com o óleo. Então, havendo óleo visível naquela praia onde está a pessoa, deve-se evitar o banho para não haver o contato com o óleo. Essa mesma orientação serve para a areia; se houver óleo na areia, evitar o contato com o óleo ali na areia", disse o secretário. Nesta semana, as manchas de óleo começaram a chegar às praias da Região Metropolitana do Recife (RMR).

Consumo de peixe e frutos do mar

Sobre o consumo de peixes e frutos do mar, o secretário afirmou que não há medidas restritivas por parte das vigilâncias sanitárias, nem no nível da União, dos estados e nem dos municípios: "Nós estamos com esse problema no litoral desde 2 de setembro; não houve nenhuma medida restritiva, até o momento, determinada nem pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, nem pelas vigilâncias estaduais e municipais", disse o secretário.

Leia também:

>> Voluntários precisam de doações para combater avanço do óleo

>> Óleo avança e chega à Praia de Barra de Jangada, em Jaboatão

>> AGU analisa medidas após ser notificada sobre manchas de óleo

Peixes foram mortos por causa do petróleo
Peixes foram mortos por causa do petróleo
Reprodução/TV Jornal

Em conversa com a Rádio Jornal nesta quarta-feira (23), oceanógrafo e vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Moacyr Araújo, apresentou uma visão divergente com relação ao consumo de alimentos provenientes do mar. Araújo disse que é preciso ter cautela e, em alguns casos, evitar comer peixes e pescados nos próximos dias: "A princípio nós precisamos ter um plano de análise de todo esse pescado e desses organismos, peixes, ostras, etc. Sobretudo naqueles estuários que foram mais impactados e, a partir daí, a gente vai ter um diagnóstico realmente do nível de contaminação".

Confira os detalhes na reportagem de Betânia Ribeiro.

Ouça:

Ainda segundo Moacyr Araújo, apesar da cautela no consumo desses produtos, não é necessário fazer alarde: "Seria bom a gente tomar um pouco de cuidado para também não ficar alardeando coisas desnecessárias. Nesse momento é preciso ter muita tranquilidade", disse o especialista, reafirmando que é preciso ter mais dados científicos para avaliar o caso.

Perigos para a pele

Depois de chegar em Alagoas, manchas de óleo seguiram para São José da Coroa Grande (PE)
Depois de chegar em Alagoas, manchas de óleo seguiram para São José da Coroa Grande (PE)
Arnaldo Carvalho/JC Imagem

A dermatologista Carolina Coelho conversou com a reportagem da Rádio Jornal e explicou os perigos que o óleo cru podem causar à saúde das pessoas, principalmente quando o produto entra em contato com a pele. Segundo ela, substâncias presentes no óleo podem entrar na corrente sanguínea e causar danos às pessoas.

"Enquanto as autoridades não se pronunciarem oficialmente em relação a que material é esse, o que é recomendado é que (as pessoas) não entrem em contato. Esses voluntários devem usar material de proteção sobre toda a pele: usar botas, usar luvas e usar máscaras", disse a dermatologista. Ainda segundo ela, o contato direto com esse óleo pode causar dermatites e alergias.


Mais Lidas