Vendas de peixe despencam no Mercado de São José após manchas de óleo

Comerciantes afirma que as vendas caíram cerca de 80%

ÓLEO
Vendas de peixe despencam no Mercado de São José após manchas de óleo

Vendas de peixes no Mercado de São José caíram após o surgimento das manchas de óleo - Foto: Guga Matos/JC Imagem

Após o vazamento de óleo que atingiu as praias do litoral de Pernambuco e também do Nordeste, os pescadores e trabalhadores que dependem da pesca foram diretamente atingidos. Na manhã desta sexta-feira (1), poucos clientes apareceram no setor de venda de peixes no Mercado de São José, no Centro do Recife.

Comerciante há 40 anos, Denilton Gomes relata que nunca vivenciou uma situação semelhante a essa causada pelo vazamento do óleo. “Faz 40 anos que eu trabalho aqui no Mercado de São José e eu nunca vi isso na minha vida. Nunca vi uma crise como essa do óleo. Lembro que teve a época da cólera, só que ela não atingiu tanto como essa do óleo. Dia de todos os santos e a gente não está conseguindo vender nada. A gente precisa falar para o povo que o peixe não tem nada a ver. O peixe é uma comida saudável e não tem nada de contaminação”, lamentou.

As vendas, segundo os comerciantes, caíram quase 80% desde a descoberta das manchas de óleo no litoral do Estado. De acordo com o coordenador da Federação de Pescadores de Pernambuco, Aderbal Poroca, a situação é extremamente preocupante. “Todos foram atingidos, devido à área que eles operam, mas também por conta do alarido que foi feito e é até compreensível que isso tenha acontecido, justamente pelo princípio da preocupação que as autoridades sanitárias e ambientais alardearam a população e em alguns casos que sequer tomassem banho no mar”, analisou.

Ainda segundo Aderbal, até o momento, tanto o Governo Federal, quanto o Estadual, não agiram efetivamente para ajudar os trabalhadores que dependem da pesca. “Até agora muita promessa e a gente não pode desdenhar da veracidade dessas promessas, mas ainda não tem nada de efetivo. Para se ter ideia, o seguro-defeso anterior, de janeiro a maio, os trabalhadores sequer receberam. Os pescadores de lagosta devidamente cadastrados também não receberam, com a exceção com alguns poucos de uma colônia no Pina”, disse Aderbal Poroca.

Segundo o coordenador, o Comitê Gestor de Pesca vai iniciar nos próximos dias um processo de cadastramento dos pescadores em Pernambuco. “Esse cadastro tem que ser feito via colônia e federação. O cadastro vai normatizar e botar ordem no que anteriormente acontecia, onde muita gente tinha documento de pescador sem ser pescador. Isso prejudicou demais a imagem da colônia, da federação e do próprio pescador, mas isso já está sendo corrigido. Os critérios daqui para frente é que ele seja reconhecido na comunidade como pescador. O novo cadastro vai dá uma enxugada para facilitar quando vier algum recurso, para que seja direcionado de fato para aqueles que têm o direito de receber”, concluiu.

Ouça a reportagem de Isa Maria:

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