A distância de aproximadamente 12 mil quilômetros não foi capaz de evitar que a fumaça dos grandes incêndios florestais que ocorrem sobre a área oriental da Austrália chegasse a América do Sul, inclusive, atingindo uma parte do Rio Grande do Sul, no Brasil. Apesar de ter chegado ao país, o geógrafo Lucivânio Jatobá garantiu, em entrevista ao programa Passando a Limpo desta terça-feira (7), que não existe possibilidade das fumaças atingirem a região Nordeste do Brasil. Segundo o professor, incêndios de grandes proporções como os que estão ocorrendo na Austrália liberam uma enorme quantidade de fumaça para atmosfera, que são transportadas pelos ventos de um local para outro.
“Esse incêndio e outros que aconteceram na África provocam consequências que não são nada boas. Esses particulados são transportados pelos alísios. O que está acontecendo no caso específico da Austrália é que esses particulados estão atingindo a parte Sul da América Latina, no Chile, Argentina, no Uruguai e uma pequena parte do Rio Grande do Sul. O Nordeste não será atingido. Estamos livre porque a circulação atmosférica aqui é outra. A circulação que está levando para o Sul da América Latina é um anticiclone e frentes frias que sopram no sentido Oeste-Leste”, explicou Jatobá.
O professor ainda aproveitou para explicar as fortes temperaturas que estão atingindo o mundo e causando queimadas em diversos lugares. "O que está acontecendo são relações entre a terra e o sol. Nós temos ciclos de atividade solar. Temos período de atividade máxima e período de atividade mínima. Simpatizo com alguns estudos que apontam que estamos marchando ao contrário. Estamos indo para um período de resfriamento. Se a atividade solar continuar mínima como está acontecendo nos últimos dois anos. Mas isso é um assunto bem controverso ainda”, disse.
Jatobá ainda enfatizou os danos que as queimadas causam a biodiversidade dos locais atingidos."A biodiversidade foi profundamente atingida por conta desses incêndios. Assim como na Amazônia, que também sofreu muito com aqueles incêndios. Nós esquecemos agora da Amazônia porque começou o período de chuva e os incêndios foram naturalmente apagados, mas a biodiversidade amazônica sofreu muito com aqueles incêndios", concluiu o geógrafo Lucivânio Jatobá.
Ouça a entrevista na íntegra: