Conheça as diferenças de clima em Pernambuco

Enquanto algumas cidades estão sob alertas de fortes chuvas, outros municípios do estado sofrem com a seca; meteorologista explica

SISTEMAS METEOROLóGICOS
Conheça as diferenças de clima em Pernambuco

Pernambuco sofre com a seca e alerta de fortes chuvas em diferentes regiões - Foto: Artes JC

Com um território que mede pouco mais de 98 mil km², Pernambuco está longe de ser um dos maiores estados do Brasil. Mesmo assim, o espaço é suficiente para abrigar fortes contrastes climáticos. São quatro tipos de clima presentes em toda a extensão territorial. Enquanto a seca atinge 61 municípios, principalmente no Agreste, 37 cidades do Sertão estão sob alerta de chuvas intensas, temendo alagamentos e transbordamento de rios ou enxurradas.

O meteorologista da Agência Pernambucana de Águas e Clima, (Apac), Roberto Pereira, afirma que essa diversidade já é observada há mais de 30 anos.

“A precipitação no estado de Pernambuco já tem uma diversificação muito grande. Se a gente comparar, por exemplo, com o ano que mais chove no Sertão, o volume é em torno de 500 a 600 milímetros, no máximo, e no Agreste esse volume pula para 800 milímetros. E quando você vai para a Zona da Mata e Região Metropolitana, têm mais de 2 mil milímetros de chuva por ano. Então, olhando os dados há mais de 30 anos, isso é comum acontecer no estado”, explicou.

Além das diferenças no clima entre regiões muito próximas, são registradas desigualdades meteorológicas entre municípios dentro da mesma região.

“Principalmente o Sertão, ele tem uma diferença de precipitação de uma cidade para a outra muito grande em virtude exatamente dos sistemas que chegam. A medida que a umidade avança do litoral até chegar ao Sertão, ela começa dissipando essa precipitação, fazendo com que você tenha precipitações bastantes desiguais de uma cidade e região para outra.”

Sistemas meteorológicos

De acordo com o especialista, a divergência se deve aos três sistemas meteorológicos que agem no estado.

“Um se chama Zona de Convergência do Atlântico Sul, que atinge principalmente a parte oeste do estado; tem outro sistema que se chama Zona de Convergência Intertropical, que vem migrando do norte para o sul e é responsável por boa parte das chuvas do Sertão e pegando o Agreste; e o outro sistema se chama Distúrbios Ondulatórios de Leste, que nada mais é uma diferença nos ventos que sopram o ano todo, de sudoeste a noroeste, e esses ventos têm algumas perturbações que trazem chuva principalmente para a Zona da Mata e Região Metropolitana.”

A formação dos sistemas é complexa. Não depende apenas das condições locais, mas também de fatores mais abrangentes, como as temperaturas dos oceanos Atlântico e Pacífico. Essa situação térmica interfere na umidade do ar e na formação das nuvens, que ocasionam as chuvas.

Roberto Pereira também destaca a diferença entre os termos “variação climática” e “mudança climática”. Enquanto a variação depende unicamente da natureza, a mudança pode ter influência da ação humana.

“Se aqueceu ou esfriou mais do que o normal, isso tem a ver com a emissão de CO2 na atmosfera, que é um gás que responde diretamente a esse aquecimento que os cientistas estudam. Então se tem que fazer um estudo prolongado para saber se isso é uma variação ou uma mudança. Quando esse padrão vai e volta, é uma variação, mas quando ele aumenta ou diminui demais, aí se chama de mudança climática. Vários estudos apontam para mudanças climáticas, mas ainda não são conclusivos para a nossa região”, finalizou o meteorologista.

Ouça a reportagem de Betânia Ribeiro:

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