DEPENDÊNCIA

Pesquisadores da UFMG desenvolvem vacina contra vício em cocaína


A dependência da cocaína desencadeia sintomas como elevação da frequência cardíaca, dor de cabeça, desnutrição, pânico e até paranoia grave

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 28/01/2020 às 18:02
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Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveu uma vacina contra o vício em cocaína. A dependência na droga desencadeia sintomas como elevação da frequência cardíaca, dor de cabeça, desnutrição, pânico e até paranoia grave.

O estudo será tema de um evento no Recife, nesta quarta-feira (29), no auditório do Cais do Sertão, no bairro do Recife. O colóquio “Vacina para usuário de cocaína: resultados de uma experiência brasileira” é o primeiro de uma série de eventos que a Secretaria de Políticas de Prevenção à Violência e às Drogas prepara para enriquecer o debate na sociedade sobre temas relacionados a políticas sobre drogas e à prevenção à violência, de uma forma mais ampla.

Um dos líderes da pesquisa, o psiquiatra e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Frederico Garcia, explica como é a atuação da vacina contra o vício em cocaína. “A cocaína é uma molécula que circula livremente no nosso organismo quando ela entra na corrente sanguínea (...) Ela vai se ligar numa região que é onde vai dar a sensação de prazer e euforia que a cocaína produz em algumas pessoas. O medicamento faz com que o nosso organismo produza anticorpos, mas dirigidos contra a cocaína”, explicou o pesquisador, acrescentando que o usuário não perceberá a ação da droga.

Segundo o cientista, a vacina contra a cocaína, associada a tratamentos como a psicoterapia, pode ajudar os usuários que querem interromper o uso da droga porque se elas recaírem, não vão sentir o efeito da droga.

Crack

De acordo com o pesquisador, a vacina também pode ser uma opção para os viciados em crack, droga extremamente perigosa e que é um subproduto da pasta base da cocaína. “Qualquer molécula de cocaína que cair na corrente sanguínea pode ser captada pelos anticorpos. Então a vacina, em princípio, serviria para o tratamento tanto da dependência de cocaína quanto do crack”, apontou.

Próximas etapas do estudo

A próxima fase da pesquisa é entregar os dados para a Anvisa, que irá dar um aval sobre o teste em humanos. Após essa etapa, em cerca de um ou dois anos, a vacina deve começar a ser testada em humanos.

Para o pesquisador, a vacina contra a cocaína poderá ser disponibilizada tanto na rede pública quanto privada. “Ela não é uma solução que vai resolver o problema de todo mundo que tem dependência, sobretudo porque a gente acredita que os que vão mais se beneficiar dela são aqueles que conseguem interromper o uso e entrar num programa de tratamento. Então nos locais onde esses programas de tratamento existem seria interessante a vacina estar disponibilizada”, concluiu.


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