SEGURANÇA

Após protesto, policiais civis descartam paralisação no Carnaval


Policiais civis realizaram um protesto no centro do Recife nesta terça-feira (18)

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 18/02/2020 às 13:46
Felipe Jordão/ JC Imagem
FOTO: Felipe Jordão/ JC Imagem
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Cerca de 250 policiais civis realizaram um protesto no centro do Recife, nesta terça-feira (18), e ameaçaram paralisar as atividades durante o Carnaval 2020. Um grupo de representantes, incluindo o deputado Joel da Harpa e o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Áureo Cisneiros, se reuniu com Eduardo Figueiredo, secretário executivo da Casa Civil, no Palácio do Campo das Princesas, no bairro de Santo Antônio. Após o encontro, a categoria decidiu não realizar greve durante os festejos carnavalescos.

Os policiais civis saíram em caminhada da sede do sindicato, no bairro de Santo Amaro, na área central da capital pernambucana, e seguiram até a sede do governo.

Em entrevista à Rádio Jornal, o presidente do Sinpol falou sobre a decisão de não realizar a paralisação. “O governo se comprometeu, no dia 11 de março, às 14h30, negociar a reestruturação do nosso plano de cargos e carreiras, ou seja, o salário, como também a melhoria das condições de trabalho dos policiais civis. A gente deu esse voto de confiança ao governo. Até porque foi publicamente que o governo se manifestou”, explicou. "Uma coisa que pesou bastante para gente foi não atrapalhar o carnaval do povo pernambucano”, completou o presidente do Sinpol.

Segundo Áureo, a categoria tenta negociar há dez meses com o Governo do Estado, mas só agora teve abertura para discutir a pauta.

Os policiais civis reivindicam aumento salarial, pagamento de horas extras e a reestruturação das delegacias. A Polícia Civil denuncia a falta de dinheiro para comprar até tinta e papel para imprimir documentos e boletins de ocorrência. Segundo os policiais, toda a tropa irá atuar no Carnaval e não receberá hora extra.

 

Sinpol e governador se posicionam

Em entrevista ao Jornal do Commercio, antes do encontro com Eduardo Figueiredo, Áureo Cisneiros disse que a categoria gostaria de negociar diretamente com o governador Paulo Câmara. No entanto, ele estava em agenda fora do Palácio. “A gente queria conversar com o governador, ele foi eleito para resolver os problemas do Estado. Segurança pública não é problema? A população está clamando por mais segurança pública e o governo inventa uma agenda, em uma questão tão importante dessas, que é ficar sem a Polícia Civil no Carnaval? Ele tem que assumir a responsabilidade e resolver esse problema, não ficar fugindo”, disse Cisneiros.

Paulo Câmara participou, durante a manhã desta terça, da 1ª assembleia extraordinária da Associação Municipalista de Pernambuco (AMUPE) em 2020, em Jardim São Paulo, na Zona Oeste do Recife. Após a assembleia, o governador conversou com os jornalistas e disse que o diálogo está aberto. "O diálogo está sempre aberto, nunca voltou, pelo contrário. Nós fizemos, nos últimos anos, um processo de valorização das nossas polícias que nunca ocorreu em Pernambuco e hoje nós temos um dos salários mais altos do Brasil", afirmou.

Ele garantiu que está tudo pronto para o Carnaval. "O que a gente vê em um movimento como esse é, principalmente querer jogar fatos em uma véspera de Carnaval, de uma forma inadequada, quando o Governo está à disposição para dialogar. Mas temos que ver as restrições do Estado, que está acima do limite de responsabilidade fiscal, isso é um fato que não tem como mudar. É sentar, ver formas de melhorar a qualidade do trabalho. Isso a gente está fazendo desde sempre, vamos continuar fazendo e vamos ter, na verdade, um grande Carnaval. Essas ações muitas vezes têm conotação política. Está tudo pronto para o Carnaval, o esquema está todo pronto, a população vai ter um grande Carnaval da paz, como é todo ano e a gente vai trabalhar muito para isso ser cada ano maior", completou.

Resposta do Governo do Estado

Confira a nota divulgada pelo Governo de Pernambuco após a reunião com o sindicato:

O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria da Casa Civil, informa que representantes do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol) foram recebidos, nesta terça-feira (18), pelo secretário-executivo de Articulação e Acompanhamento, Eduardo Figueiredo. Na ocasião, foram dados os encaminhamentos e marcada uma reunião, para o próximo dia 11 de março, com a secretária de Administração, Marília Lins. Durante a reunião, a comissão do Sinpol, por sua vez, comprometeu-se em não realizar paralisações durante o carnaval.

A Casa Civil sempre esteve aberta ao diálogo, e o encontro foi mais uma etapa das rodadas de negociação que são realizadas durante todos os anos.

A Secretaria de Administração informa que entre o período de janeiro de 2015 e fevereiro deste ano, realizou 26 (vinte e seis) reuniões com o Sinpol. Somente no ano passado, foram registradas 05 (cinco) reuniões com esse sindicato, sendo a última delas no mês de dezembro. Nas reuniões realizadas nesse período, foram firmados e cumpridos diversos compromissos com a categoria, tais como estudos para revisão do plano de cargos, carreiras e vencimentos e a reformulação de alguns benefícios, dentre outros. Importante destacar que, desde 2015, a categoria obteve reajuste remuneratório médio de 56,15%. Ou seja, bem superior à inflação oficial do mesmo período, que correspondeu a 31,32%.

Além disso, nesse intervalo foram nomeados 1.359 novos Policiais Civis (Agentes de Polícia Civil e demais cargos correlatos). Por último, a Secretaria de Administração enfatiza que o Governo do Estado está à disposição para o diálogo franco e permanente com as categorias do funcionalismo público estadual.


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