Saúde

Psicóloga fala da vivência do luto durante a pandemia do coronavírus

Muitas famílias não estão conseguindo realizar rituais de despedida durante a pandemia da doença no Brasil

Publicado em 26/04/2020 às 11:22
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Lidar com a perda de um ente querido nunca foi fácil. E, atualmente, com a pandemia do coronavírus, a situação fica ainda pior. Isso porque o grau de contágio aumenta e medidas sanitárias são implementadas, fazendo assim com que os velórios, muitas vezes, não aconteçam.

Psicólogos afirmam que é preciso sentir esse momento, mas que existem formas de amenizar a situação, principalmente agora, onde tudo é uma descoberta. Quem fala sobre o assunto é a psicóloga Beatriz Mendes, especialista em luto, onde ela que explica a importância dos vínculos.

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É muito importante a gente entender que estamos em distanciamento e isolamento, mas que os nossos vínculos continuam. E, principalmente, quando a gente fala sobre a perda, e a perda por covid, que a gente tem um quadro um pouco mais traumático diante da forma como acontece o adoecimento e, no momento da perda, fica difícil também vivenciar rituais, como o velório, o sepultamento, que tem toda uma estruturação de crenças, que são muito importantes pra gente.”

Segundo a especialista, a não realização do velório vai impactar até mesmo na fase do luto pois é no momento de despedida, que mesmo para aqueles que não veem sentido na situação, ficará marcado. Cabe a família encontrar formas de manter esse cerimônia, mesmo que não seja de maneira presencial.

“Não podendo ter, a gente sempre vai pensar na importância de encontrar uma forma de isso acontecer. Não vai ser possível agora, mas quem sabe quando as coisas se acalmarem, as famílias poderem pensar quais formas de despedida, de organização de um momento de um ritual”, afirma a psicóloga.

Para aqueles que têm alguém próximo que perdeu um ente querido, a orientação é se manter presente e olhar para si mesmo, para se perguntar qual suporte pode ser oferecido ao enlutado.

“O que eu sinto muito é que as pessoas quando se aproximam do enlutado, se preocupam muito em querer que aquela dor vá embora ou querer amenizar aquela dor. E eu acho que poder se fazer presente, entender que o silêncio é uma forma de estar junto também. Se manter presente, e essa presença não precisa ser cercada de grandes falas ou de grandes elaborações. É de poder, junto com o enlutado, entender qual a necessidade do momento.”

Ouça a reportagem de Eduarda Oliveira:

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