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Pernambuco representa mais de 8% das mortes por coronavírus no Brasil, diz especialista em estatística


Segundo dados levantados por professor de estatística da Universidade Federal de Pernambuco, número de mortes por milhão de habitantes no estado é de 265

Priscila Miranda
Priscila Miranda
Publicado em 02/06/2020 às 9:36
Bruno Campos/TV Jornal
FOTO: Bruno Campos/TV Jornal
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O afrouxamento das medidas de isolamento social e o plano gradual de reabertura do comércio em Pernambuco estão sendo vistos por especialistas com preocupação por causa do número de casos de coronavírus e de mortes pela doença no estado. Em entrevista ao Passando a Limpo desta terça-feira, os professores Jones Albuquerque e Gauss Cordeiro, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), afirmaram que a taxa de óbitos por covid-19, mesmo com uma estabilização da curva, ainda é alta.

“Pernambuco está contribuindo com 8.5% e 9.5 % das mortes do país, apesar de ter somente 4% da população total. Então, isso é agravante porque Pernambuco entra para os estados perigosos, como Ceará, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo e Amazonas”, afirmou afirmou Gauss, que é professor do departamento de Estatística da UFPE.

De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado na terça-feira (1º) pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), Pernambuco conta com 2.875 mortes pela Covid- 19 e totaliza 34.900 casos já confirmados, sendo 14.535 graves e 20.365 leves.

“Sim, a gente está mostrando um cenário de estabilização de óbitos, realmente, de um número de óbitos, da quantidade de demanda por leitos de UTI nos hospitais privados, mas ainda não é momento de voltar às nossas atividades corriqueiras. Os gráficos nos mostram que a gente ainda está muito próximo do limiar”, afirmou Jones Albuquerque, que é cientista do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika) da UFPE.

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Mortos por milhão de habitantes

O professor Gauss falou ainda da taxa de mortos por milhão de habitantes por estado e como Pernambuco está entre os que possuem um maior número de casos registrados. “Num país continental como o Brasil, cada estado vai se comportar como um país na Europa. Se a gente analisa o número de óbitos por milhão de habitantes, na Espanha tem 580, Itália 550, Franca 440, Suécia 435. O Brasil tá 131, muito baixo, porque o sul está bem controlado, estados grandes como Minas Gerais, está controlado, Mas se a gente vai para, por exemplo, o Amazonas, tem essa taxa de óbitos por milhão superior à França, em 456. Pernambuco, apesar de ter 265 vai superar a França, eu não tenho dúvidas”, explicou.

No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, o coronavírus já conta com mais de 525 mil casos e mais de 29 mil mortes.

Chances de recuperação

Gauss Cordeiro afirmou que, quando participou do Passando a Limpo no dia 29, em que falou do pico de mortes no Brasil, recebeu muitas perguntas com relação às chances de recuperação de uma pessoa que se infecte com a covid-19.

“Uma pessoa infectada tem uma chance média de 98% de se recuperar. O risco médio de óbito é 2%. Obviamente pode ser maior por conta da idade do indivíduo infectado e de morbidades que ele apresenta; 80% dos infectados não apresentam sintomas além de uma gripe, então a gente tem que se preocupar com os 20%, que se tornam sintomáticos e vão para as unidades de saúde e aí a preocupação com as filas nos leitos de UTI. Sobre o tempo de recuperação de um paciente que vai para uma unidade hospitalar, esse tempo é bem preciso. Eu peguei dados de vários locais e estimei um intervalo de 95% confiança entre 23 e 29 dias. Ou seja, dificilmente ele passa mais de um mês se recuperando. Agora, o tempo para o óbito é muito amplo por conta das morbidades e da grande variabilidade de idade. Esse tempo, quando você faz um intervalo de confiança, dá entre 15 e 62 dias de tempo para o óbito. Obviamente, pacientes mais resistentes vão demorar a morrer.”

Ouça a entrevista na íntegra:


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