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“Eles comem absolutamente tudo”, diz veterinário sobre gafanhotos que avançam para o Brasil


Segundo especialista, distância quilométrica não impede que gafanhotos cheguem a vários estados do Brasil

Priscila Miranda
Priscila Miranda
Publicado em 25/06/2020 às 9:59
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Em entrevista ao Passando a Limpo nesta quinta-feira (25), o médico veterinário Doralécio Lins e Silva comentou as chances de a nuvem de gafanhotos que saiu originalmente do Paraguai, das províncias de Formosa e Chaco, onde há culturas de cana-de-açúcar, mandioca e milho, chegar ao Brasil, inclusive a estados do Nordeste.

“[A distância de] 130 km para uma nuvem de gafanhoto é como se fosse sair do Recife para Olinda; [é] muito próximo. Para você ter uma ideia, teve uma nuvem de gafanhotos no Mediterrâneo, na Ilha de Chipre. Essa mesma nuvem saiu e invadiu as Ilhas Canárias, na Espanha, e entrou na África. Foi até a Mauritânia, que fica no Norte da África. Eles se deslocam numa velocidade muito grande”, diz Doralécio.

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Nuvem de gafanhotos: Brasil declara emergência fitossanitária

“O problema é que na hora que começa a entrar em Minas [Gerais], chegando já no Nordeste, não tem agricultura para eles comerem. A não ser no oeste da Bahia. Se eles chegarem, os plantadores de soja, de feijão, esse pessoal vai ficar muito preocupado. Porque, no Nordeste, na caatinga, eles não vão ter ambiente para isso. Agora lembrem-se que é um animal que sobrevive nos desertos africanos, então ele come absolutamente tudo."

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento declarou estado de emergência fitossanitária nesta quinta-feira (25) no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina devido ao risco de surto da praga Schistocerca cancellata nas áreas produtoras dos dois estados.

"Nuvem de poeira" também pode chegar ao Brasil

Além da nuvem de gafanhotos, outro fenômeno da natureza pode chegar ao Brasil: trata-se da "nuvem de poeira Godzilla".

Há alguns dias, parte do Oceano Atlântico está sendo encoberta por uma gigantesca nuvem marrom e densa. Imagens capturadas por satélites mostram que é possível ver a nuvem, que esconde os tradicionais tons de azul e branco, sai da África e vai em direção ao Caribe. O fenômeno, chamado por alguns especialistas de "nuvem de poeira Godzilla", trata-se de uma nuvem de ar do Saara.

De acordo com especialistas, a nuvem é um fenômeno comum, mas, desta vez, está mais denso. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, em inglês), a nuvem, que já provoca efeitos no Caribe, deve mover-se em direção ao oeste pelo Mar do Caribe e para áreas do norte da América do Sul, América Central e da Costa do Golfo dos Estados Unidos. O fenômeno já percorreu mais de 5 mil quilômetros desde que foi observado, há uma semana, na área oeste da África.

Por causa da poeira, o fenômeno pode afetar a pele e os pulmões por causa do ar seco com poeira ter cerca de 50% menos umidade. Também pode ser nocivo às pessoas que têm problemas respiratórios, causando alergias e irritações nos olhos. A recomendação para prevenção é o usos de máscara e a não realização de atividades ao ar livre. No mar, os navios foram alertados sobre a baixa visibilidade.

Ouça a entrevista na íntegra:


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