Economia

Presidente da Caixa diz que pode estudar ampliar suspensão do pagamento de prestação habitacional


Pedro Guimarães foi entrevistado na Rádio Jornal nesta sexta-feira (3)

Priscila Miranda
Priscila Miranda
Publicado em 03/07/2020 às 9:36
Marcello Casal Jr./ABr
FOTO: Marcello Casal Jr./ABr
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Em entrevista ao Passando a Limpo na manhã desta sexta-feira (3), o presidente da Caixa Econômica Federal Pedro Guimarães afirmou que o banco pode estudar ampliar a suspensão do pagamento de contratos de financiamento da casa própria por causa da pandemia do novo coronavírus.

“Nós começamos com dois meses, depois expandimos para três meses e, recentemente, expandimos para quatro meses automaticamente. Então, hoje, são quatro meses desde o começo da pandemia. E, sim, podemos estudar [a ampliação]. A Caixa é um banco de todos os brasileiros, em especial os mais humildes. Nós vamos sempre analisar e tomar as decisões que amparem a população geral e sempre com muita conversa e senso comum.”

A ampliação da pausa do pagamento de financiamentos habitacionais por um período de 120 dias aconteceu em maio, para os clientes que já haviam solicitado o benefício de suspensão temporária. Anteriormente, como dito pelo presidente da Caixa, o período máximo era de 90 dias - três meses. Quem decide solicitar a suspensão temporária das prestações já terá os 120 de pausa garantidos.

Auxílio emergencial

De acordo com Guimarães, um dos motivos que mais dificultaram o pagamento do auxílio emergencial nos primeiros meses foi o cadastramento de pessoas que “estavam invisíveis” aos olhos do Governo Federal. Ou seja, mais de 35 milhões de pessoas não possuíam nenhuma conta bancária, assim como não tinham cadastro social.

“No começo de abril tivemos filas porque pagar muita gente sem ter uma organização inicial é difícil. Achamos 35 milhões de pessoas que não estavam nem em cadastro social. O pagamento do Bolsa Família, que são 19 milhões de pessoas, já tínhamos o cadastro e pegávamos com tranquilidade. Do nada, a gente achou quase 40 milhões de pessoas que não tinha nenhuma informação no Governo Federal. Nós recebíamos as informações a cada três ou quatro dias. Então isso foi um problema no começo. A solução foi realizar o pagamento inicialmente em via digital. Hoje o ‘Caixa Tem’ possui 108 milhões de clientes que vão poder movimentar a conta depois da pandemia também”, explica.

Fraudes

Alguns beneficiários do auxílio emergencial estão aproveitando os créditos disponíveis no aplicativo Caixa Tem para gerar boletos em outros bancos digitais e facilitarem o acesso aos recursos em papel moeda antes do calendário de saque estabelecido pela Caixa. Para Guimarães, no entanto, esse é um artifício que o banco não pode agir diretamente. Em contrapartida, ele afirma que as fraudes estão sendo investigadas pela Polícia Federal.

"Os boletos são uma determinação do regulador. Eu não posso proibir determinadas coisas, mas nós podemos ir atrás de fraudes. Eu não posso avançar muito em algumas questões, mas posso dizer que existem várias investigações de fraude. Quem frauda a Caixa e o Brasil, está sendo investigado pela Polícia Federal. Desvio de dinheiro da população mais carente nesse momento de pandemia é algo extremamente grave", alerta.

Ouça a entrevista na íntegra:


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