Educação

Professor da rede pública entrega em casa as tarefas de alunos que não têm internet

Para não prejudicar os estudantes, o professor Arthur Cabral vai de bicicleta à casa dos meninos que não conseguem acessar as aulas online

Carol Coimbra
Carol Coimbra
Publicado em 22/07/2020 às 14:16
Instagram @arthurncabral / Cortesia
FOTO: Instagram @arthurncabral / Cortesia
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O professor de ciências Arthur Cabral, de 29 anos leciona há 3 anos na escola pública referência Deputado Oscar Carneiro, na Vila Da Fábrica, em Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife. A instituição de ensino possui atualmente 450 alunos entre ensino fundamental, médio e educação de jovens e adultos.

Devido a pandemia da covid-19, as aulas de forma presencial foram suspensas, e desde o mês de abril, os estudantes precisam utilizar o site youtube e outros aplicativos para ter acesso ao conteúdo escolar. Mas, assim que as aulas remotas começaram, o professor percebeu que uma parte dos alunos não participava. A razão para essa ausência era a falta de celulares e a dificuldade de acesso à internet. A maioria dos alunos possui apenas acesso ao aplicativo de mensagens, whatsapp. Já outros, utilizam o sinal de “wi-fi” de vizinhos ou tem que dividir o aparelho com irmãos.

Ao perceber a situação, o professor decidiu fazer kits de tarefas e entregar nas casas dos alunos. “Eu acredito que a educação é universal, e ela deve chegar a todos. Então, eu decidi pedir ajuda a amigos, para tirar Xerox do material, de capítulos de livros. Comecei a recolher as atividades com professores e decidi por conta própria levar as atividades a esses estudantes. Toda segunda-feira eu já falo com os professores, com meus colegas, pelo whatsapp mesmo, e eles me enviam as atividades. Eu passo a semana organizando essas atividades, armazenando em envelopes, cada uma com o nome de cada estudante. E na sexta-feira pela manhã as 8h eu saio de bicicleta aqui no bairro da Várzea e me desloco até Camaragibe. Lá eu circulo em alguns bairros.” Conta Artur Cabral.

Ele também afirma que até que todos tenham acesso às aulas, ele não irá desistir dos alunos. “Para mim está sendo muito gratificante, porque parte do meu ensino básico aconteceu em escola pública. Talvez se essa pandemia tivesse ocorrido a 12, 13 anos atrás, eu estivesse no lugar desses estudantes. Então eu acredito que a educação deva chegar a todos. Muitos professores meus do ensino básico não desistiram de mim. Eu tive exemplos na família de um tio meu que é professor e nunca desistiu de mim. Então eu acho que é meu papel não desistir dos estudantes. Até que o último estudante não tenha acesso a educação, mesmo que pouca, eu estarei lá para ajudá-lo.” Relata.

Segundo dados do "TIC Domicílios 2019", aproximadamente 30% dos lares no brasil não têm acesso à internet. O estudo também mostra que em famílias cuja renda é de até um salário mínimo, metade não consegue navegar na rede em casa e que na classe A, apenas 1 % não tem conexão.

Ouça a reportagem de Airton Vasconcelos:

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