Pernambuco passa a ofertar DIU hormonal no SUS

A rede pública de saúde ira ofertar tanto o DIU de cobre quanto o SIU mais conhecido como DIU hormonal

SAúDE
Pernambuco passa a ofertar DIU hormonal no SUS

O dispositivo de cobre tem duração média de 10 anos. - Foto: Sem Crédito

 Como alternativa aos procedimentos de histerectomia (remoção de parte ou totalidade do útero) realizados no Sistema Único de Saúde (SUS), a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE) passará a ofertar na rede estadual, além do dispositivo intrauterino (DIU) de cobre, o sistema intrauterino (SIU) de levonorgestrel, mais conhecido como DIU hormonal.

 Para marcar o lançamento da iniciativa, a Secretaria realizará, nesta quinta-feira (06.08), às 14h, webconferência, em parceria com o Núcleo de Telessaúde da Secretaria, sobre o método com palestras de especialistas na área. Profissionais de saúde podem assistir ao encontro virtual pelo link: https://conferenciaweb.rnp.br/webconf/ses-saude-da-mulher.

 Ao contrário do DIU de cobre, usado principalmente como método contraceptivo, o DIU hormonal será indicado para pacientes diagnosticadas com endometriose, dor pélvica crônica, tumores uterinos, sangramento uterino anormal, além de mulheres que convivem com alguma cardiopatia grave. “Começamos a perceber que o número de histerectomias no SUS passaram a aumentar ao longo dos anos e a ciência nos mostra que a inserção do DIU hormonal nestes casos pode diminuir as indicações cirúrgicas, reduzindo, assim, riscos das cirurgias e os gastos do Estado com este tipo de procedimento. Já as mulheres com cardiopatias graves, que têm contraindicação à gravidez e não querem realizar a laqueadura, poderão prevenir uma gestação de alto risco”, explica a ginecologista e gestora pública da SES-PE, Letícia Katz.

 Inicialmente, a inserção será restrita ao ambulatório especializado do Hospital Agamenon Magalhães (HAM), absorvendo, neste primeiro momento, a demanda das pacientes acompanhadas no próprio serviço. A proposta é expandir, ao longo dos próximos meses, a iniciativa para as demais macrorregiões de Saúde.

 O sistema intrauterino de levonorgestrel, além de ser um método contraceptivo com cerca de 99% de eficácia, é um dispositivo de longa duração (dura, em média, de 5 anos) que beneficia as mulheres com patologias uterinas. Com poucos centímetros de comprimento e em formato de ‘T’, o DIU hormonal possui 52mg do hormônio levonorgestrel e libera, inicialmente, 20mcg/24horas da substância no útero. Dessa forma, impede a gravidez e atua no alívio dos sintomas de diversas doenças. A inserção é feita no próprio consultório, sem necessidade, na grande parte dos casos, de anestesia.

 DIU de cobre

 É importante destacar que as usuárias do Sistema Único de Saúde em Pernambuco já contam com a oferta gratuita do DIU de cobre. Com o trabalho permanente de conscientização das pacientes e capacitação dos profissionais de saúde, o número de inserções do dispositivo, entre 2015 e 2019, cresceu mais de 1.000% no Estado.

Em 2015, 519 mulheres passaram a utilizar o DIU, quando apenas o procedimento de intervalo era ofertado. Já em 2019, o número subiu para 6.190, com o incentivo, pela SES-PE, da implantação do dispositivo no pós-parto, pós-abortamento e de intervalo. Mais de 13,6 mil pacientes foram beneficiadas.

O dispositivo de cobre tem duração média de 10 anos, não possui hormônio, é seguro e beneficia as mulheres que não desejam engravidar, pois o cobre liberado por ele interfere no número e no transporte de espermatozoides, além de dificultar a movimentação do óvulo pela trompa, impedindo a fecundação. Com comprimento de 2 a 3 cm, o DIU de cobre também é inserido no útero da mulher e tem o potencial de eficácia de 99,3%. O dispositivo também pode ser utilizado por adolescentes e mulheres que não engravidaram.

 Em Pernambuco, realizam o procedimento para inserção do dispositivo intrauterino os hospitais Agamenon Magalhães, Barão de Lucena, Jaboatão Prazeres, Clínicas, Cisam, Imip e o Hospital da Mulher do Recife, além de serviços municipais, como maternidades e policlínicas, que fazem o procedimento de forma ambulatorial. Desde 2016, cerca de 1 mil médicos foram capacitados pela SES-PE sobre DIU.

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