MPF instaura procedimento para acompanhar situação de Pankararus

Procedimento do MPF vai acompanhar atuação da Polícia Federal, do Ibama e da Funai no território Pankararu

INDÍGENAS
MPF instaura procedimento para acompanhar situação de Pankararus

A demarcação das terras é uma luta travada por mais de 70 anos - Foto: Bia Pankararu/ Instagram Povo Pankararu

 

O Ministério Público Federal (MPF) em Serra Talhada, em Pernambuco, instaurou um procedimento administrativo que vai acompanhar a atuação das instituições federais responsáveis por adotar medidas diante das invasões ocorridas nas terras indígenas Pankararu, localizadas nos municípios de Jatobá, Petrolândia e Tacaratu, no Sertão do Estado.

Esse procedimento administrativo surge após denúncias dos Pankararus de invasões de terras demarcadas e até mesmo de ameaças de morte a integrantes da comunidade indígena. O procurador da República André Estima explica como as denúncias surgiram. “Esse conflito já ocorre há alguns anos em decorrência da demarcação da terra indígena e da exclusão das pessoas que habitavam ali de forma ilícita. Os posseiros que ocupavam área precisaram desocupar a região. Diante desse quadro, houve episódios de derrubada de árvores sagradas para a comunidade indígena, quebra de cercas e danificação de hortas e vegetação do local. Os indígenas nos comunicaram e instauramos um procedimento administrativo para acompanhar a ação da Polícia Federal, do Ibama e da Funai na garantia dos direitos desses indígenas”, contou.

Problemas históricos 

O procurador da República comenta os fatores que levam à situação na região. “São muitas dimensões desse problema. Historicamente, há uma baixa atenção do poder público em relação às necessidades e peculiaridades dos povos indígenas. As instituições que cuidam dos seus direitos vêm sendo desmobilizadas, há uma redução de investimento, de pessoal que leva a uma grande dificuldade de atender as necessidades das populações indígenas. E, além desse cenário, há certamente uma questão local por conta do conflito de terra isso historicamente sempre foi problemático”, detalhou André Estima. E completa. “Não dá para afastar a possibilidade do racismo. Em relação à origem dos povos indígenas, muitas pessoas lidam com esse sentimento e acaba que o racismo influencia essa violência e esse cenário de conflito”, apontou.

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