“Meteorito do Sertão de Pernambuco é mais valioso do que diamante e esmeralda”, diz astrofísico

Astrofísico Antônio Carlos Miranda ressalta que meteorito é uma riqueza científica

ASTRONOMIA
“Meteorito do Sertão de Pernambuco é mais valioso do que diamante e esmeralda”, diz astrofísico

Por ser valioso, o meteorito tem atraído pessoas no Brasil e no exterior. - Foto: Reprodução

Em entrevista ao Passando a Limpo, desta quinta-feira (3), o astrofísico Antônio Carlos Miranda falou sobre a corrida de pesquisadores e caçadores atrás do meteorito que caiu em Santa Filomena, no Sertão de Pernambuco, no dia 19 de agosto. A cidade, antes pacata, agora recebe pessoas interessadas nestes fragmentos. Segundo o astrofísico, esse meteorito é especial e tem um valor incalculável para ciência, sendo mais valioso do que “diamante e esmeralda”.

“A terra é bombardeada por detritos, mas a grande maioria evapora e desaparece. Os que caem, por sua vez, caem em desertos, matas e oceanos. Por isso, achar um meteorito como o de Santa Filomena é uma coisa extraordinária. O encontrado, em específico, tem mais de 4 bilhões de anos. Ele é um fóssil do período que o sistema solar inteiro foi formado e pode ter componentes orgânicos, então é uma coisa rara”, explica.

O astrofísico também fez questão de ressaltar que a ‘caça ao tesouro’ em busca de novos fragmentos pode ser prejudicial ao município. Ele comparou a situação a época do descobrimento do país, no qual os bandeirantes portugueses ludibriavam os índios para roubar as terras brasileiras.

“O que está acontecendo em Santa Filomena é um verdadeiro crime. Algumas pessoas estão fazendo  uma espécie de caça ao tesouro. Assim, levam os fragmentos para seus respectivos locais em troca de dinheiro. Alguns levam com a intenção de pesquisar e outros para revender por um preço muito maior”, relata.

Por ser valioso, o meteorito tem atraído pessoas no Brasil e no exterior.

“Nos Estados Unidos há uma rede de caçadores de meteoritos, porque os institutos de pesquisa compram esses fragmentos por um valor alto. Aqui, eles estavam pagando R$ 40 por grama, inclusive há denúncias que estão derrubando árvores da caatinga para caçar esses fragmentos e vender. Muitas pessoas que compram são atravessadores, pagam por um valor e vendem por outro dez vezes maior”, completa.

O valor, de acordo com profissional, é incalculável, principalmente para ciência. “Levar pedras encontradas no país para vender é um crime, mas ainda não temos uma lei sobre o tema, assim como outros países. Essa é uma das nossas ações: fazer um texto de lei para que ninguém leve essa riqueza científica para outros lugares, já que esses achados são mais valiosos do que diamantes e esmeraldas”.

Confira a entrevista na íntegra:

 

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