Com nome em homenagem a Chico Science, nova espécie de camarão é identificada em Pernambuco

Fãs de Chico Science, pesquisadores decidiram nomear o novo crustáceo em homenagem ao artista pernambucano

CIÊNCIA
Com nome em homenagem a Chico Science, nova espécie de camarão é identificada em Pernambuco

Nova espécie de camarão foi encontrada no Porto de Suape e na Praia de Carneiros - Foto: Divulgação

Um grupo de pesquisadores encontrou uma nova espécie de camarão no litoral de Pernambuco e resolveu batizá-la de Chicosciencea pernambucensis, em homenagem ao cantor e compositor Chico Science. O crustáceo tem menos de um centímetro.

O professor e coordenador do Laboratório de Biologia de Crustáceos da Universidade Federal de Pernambuco, Alexandre Almeida, explica que a descoberta ocorreu durante um projeto de pesquisa realizado entre 2017 e 2020.

“O objetivo desse projeto era fazer um levantamento da diversidade de camarões em duas áreas costeiras de Pernambuco. Uma delas bastante impactada pela ação humana, que é a região do Porto de Suape, e outra delas, melhor preservada, que é a praia de Carneiros”, contou. “Dentro dos objetivos estava também a descrição de espécies novas, caso viessem a aparecer. E, de fato, apareceu”, completou.

A ideia de homenagear Chico Science, principal nome do movimento Manguebeat e morto em 1997, surgiu porque os pesquisadores são fãs da arte deixada pelo pernambucano. “Eu tenho ele comigo, de uma forma afetiva, desde meados dos anos 90. Quando a gente se deu conta de que estava com uma nova espécie na mão, coletada aqui em Pernambuco, eu sugeri aos meus colegas que a gente homenageasse Chico Science no nome dessa espécie”, compartilhou o pesquisador, lembrando que os outros estudiosos aprovaram a ideia.  

De acordo com o especialista, por enquanto, o Chicosciencea pernambucensis só é conhecido em Suape e Carneiros. No entanto, com a publicação do artigo com o novo camarão, ele não descarta que o crustáceo seja localizado em outras regiões. “Posteriormente, existe um potencial dele ser encontrado em outras áreas. Sobretudo na região Nordeste. É possível, por exemplo, que onde existem recifes costeiros, o Chicosciencea venha a ocorrer. Agora, com a publicação formal desse artigo, a espécie passa a existir para a ciência. A partir de agora, os colegas, cientes disso, quando estiverem fazendo suas pesquisas, nos estados onde cada um trabalha, eles podem ficar atentos e documentar a presença do em outras áreas”, explicou.

A pesquisa

O estudo com a biodiversidade de camarões na costa pernambucana teve início no ano de 2017, com o início de um projeto de pesquisa do doutor Gabriel Lucas Bocchini, da UFPE, financiado pela Fundação de Amparo a Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe). Em parceria com os pesquisadores Alexandre Oliveira de Almeida, Andressa Maria Cunha (ambos da UFPE) e da pesquisadora Mariana Terossi, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a pesquisa passou a mapear as espécies em Suape e na Praia dos Carneiros.

O pesquisador Alexandre Almeida comenta que ainda existem muitas descobertas a serem feitas pela ciência. “Nós vivemos num país de dimensões continentais. Esse país tem uma biodiversidade muito grande (...) Pensando no ambiente marinho e costeiro, nós temos mais de 8 mil km de costa. Obviamente que ainda falta muita coisa nova a ser descoberta e a ser descrita. Com uma descoberta desse tipo, a gente está contribuindo para o conhecimento desse patrimônio que é a nossa biodiversidade, que merece e precisa ser preservado”, afirmou.

O professor se preocupa com o impacto negativo da ação humana no meio ambiente. “Cada vez que o homem desenvolve atividades que impactam o meio ambiente, a gente corre o risco de perder espécies que ainda não são conhecidas pela ciência”, disse.

Para o pesquisador, é importante que a sociedade entenda o papel da ciência. “Sabendo o que o cientista faz, a própria sociedade, em geral, vai passar a valorizar [o nosso trabalho]. A gente precisa muito que isso seja valorizado, aqui, no nosso país, que, infelizmente, não cuida bem da sua educação e da pesquisa científica”, concluiu o especialista.

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