COVID-19

Após infecção de alunos em escola particular, Sintepe diz que situação comprova preocupação de professores


As escolas públicas voltaram as aulas nesta quarta, mas professores mantiveram greve; Sintepe diz que ainda não é momento para retorno

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 21/10/2020 às 17:59
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O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), Fernando Melo, lamentou a confirmação de estudantes do Colégio Damas infectados pelo novo coronavírus e disse que o caso comprova a preocupação da categoria em não retornar as aulas presenciais.

“Essa informação confirma toda nossa preocupação e toda nossa luta e argumentação de que ainda, infelizmente, nós não estamos no momento seguro para esse retorno. Independente de qualquer situação, o que fica claro é que houve a contaminação, que o vírus está ativo e continua matando. Fatos como esse são tristes. Ninguém comemora uma situação dessa, mas esses fatos comprovam que a luta do Sintepe é consistente e tem motivos para tal. E é por essa situação que hoje nós estamos paralisados na rede pública estadual de ensino”, afirmou Fernando Melo.

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Após judicialização do retorno às salas de aula, o Governo de Pernambuco reabriu as escolas para os estudantes do ensino médio, nesta quarta-feira (21). Segundo a Secretaria Estadual de Educação, apenas 11% dos professores aderiram à greve. O Sintepe, no entanto, denuncia que o sindicato foi impedido de entrar em algumas escolas para averiguar a adesão da categoria ao movimento.

“Nós estamos visitando as escolas e fazendo esse levantamento. É complicado em algumas escolas porque, lamentavelmente, alguns gestores, dizendo que estão seguindo as ordens da Secretaria, impediram a entrada de representantes do sindicato para fazer essa averiguação do nosso movimento. Mesmo assim, com todas as dificuldades, estamos concluindo todo o levantamento do estado”, o resultado será divulgado no início da noite desta quarta-feira, quando também será apresentada a frequência dos estudantes.

Visita às unidades de ensino

Uma comissão composta por representantes do Sintepe e integrantes da Secretaria de Educação estavam realizando um levantamento nas 750 escolas que oferecem ensino médio no Estado para verificar as condições estruturais e sanitárias de cada unidade. No entanto, a Secretaria Estadual de Educação suspendeu as verificações in loco.

“Nós tínhamos conseguido visitar 440 escolas. Nós colocamos para o governo que era importante que nós concluíssemos todas as 750 escolas porque nós não poderíamos avaliar por uma amostragem. Era preciso, sim, fazer uma avaliação in loco. Não termos concluído todas as visitas foi um dos motivos que levou a categoria a não aceitar o retorno das atividades hoje”, explicou.

À colunista de educação do Jornal do Commercio, Margarida Azevedo, o secretário de Educação de Pernambuco, Fred Amâncio, confirmou que a pasta não permite mais as visitas das comissões. Ponto importante na decisão do retorno às salas de aula, a categoria aguarda a retomada do canal de diálogo com a pasta e as negociações. “Todos esses elementos foram considerados pelo Sintepe como condição para a gente, ao concluir essa etapa toda que foi negociada na semana passada, aí sim nós teríamos a condição de avaliar na nossa assembleia. Coisa que não aconteceu, porque o processo foi interrompido e a secretaria, a todo custo, queria voltar nesse dia 21. A categoria aguarda que o processo negociado na semana passada seja retomado e concluído e, a partir daí, a gente possa ter os elementos e avaliar uma possível volta com segurança para receber estudantes e profissionais da educação”, finalizou.


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