Clarice Lispector é reconhecida como cidadã pernambucana pela Alepe

A escritora Clarice Lispector viveu a infância e parte da adolescência no Recife

POST MORTEM
Clarice Lispector é reconhecida como cidadã pernambucana pela Alepe

Clarice Lispector faria 100 anos este ano - Foto: Divulgação

A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) concedeu o título honorífico de cidadã pernambucana, post mortem, para a escritora Clarice Lispector (1920-1977). O pedido foi oficializado neste ano pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e tramitou na Alepe por proposição do deputado Marco Aurélio.

Nascida na Ucrânia, a escritora Clarice Lispector viveu no Recife dos 2 anos até os 14 anos e, este ano, completaria 100 anos. 

Em seus contos e crônicas fica clara a sua ligação com a cidade. A Fundaj também está programando junto com a Alepe uma solenidade para marcar o centenário de Clarice Lispector, no dia 10 de dezembro. “Mais do que qualquer outro autor brasileiro, a escritora, ucraniana de nascença mas de alma brasileira, já que chegou no país aos dois meses de vida, é um fenômeno literário. Sua escrita, com estilo intimista que popularizou as narrativas psicológicas, marcou a literatura do século XX. À frente de uma instituição que tem entre as suas missões salvaguardar a memória e a cultura, não poderia esquecer Clarice Lispector”, ressalta o presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Antônio Campos.

 

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Recife de Clarice

O Recife está nos textos e na alma de Clarice. Em seus inúmeros contos e crônicas a capital pernambucana desfila à nossa frente: suas ruas, as crianças brincando na praça, os casarios e os mocambos e tudo mais que fazia parte da paisagem recifense naquela cidade de sua infância. Inclusive a exclusão social.

Recuperação da casa de Clarice Lispector  

Sem Legenda
Estátua da escritora Clarice Lispector na Praça Maciel Pinheiro 
Reprodução/ Google Street View 

A Fundaj está empenhada no projeto de recuperação da casa onde Clarice Lispector viveu até os 14 anos na capital pernambucana. O imóvel no número 347 da Praça Maciel Pinheiro, área central do Recife, está deteriorado. O custo da obra está orçado em R$ 1,8 milhão. Para levar o projeto adiante, a Fundação está concorrendo aos recursos junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública no edital sobre Fundo de Direitos Difusos, que são recursos voltados para vários segmentos, entre eles o de preservação de patrimônio.

A proposta da Fundação é restaurá-lo para criar um Centro Cultural. "A ideia é que este Centro seja voltado ao conhecimento da literatura brasileira e a memória de Clarice Lispector nesse local porque foi a casa onde ela viveu com a família. Essa foi a casa onde ela viveu parte da sua infância quando veio morar no Recife quando chegou ao País vinda da Ucrânia", adianta Campos.

A casa de dois andares é o endereço em que a escritora Clarice Lispector viveu no Recife
A casa de dois andares é o endereço em que a escritora Clarice Lispector viveu no Recife
Reprodução/ Google Street View

A casa é de propriedade da Santa Casa de Misericórdia e está protegida legalmente por meio do tombamento provisório em nível estadual pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e em análise preliminar no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para tombamento federal. Apesar de sua importância, o imóvel encontra-se abandonado, em avançado processo de degradação e já se constatando perda de elementos arquitetônicos originais. u. 

Após a reforma, a Fundação pretende inaugurar no espaço o Centro Cultural Casa Clarice Lispector voltado à memória da escritora de renome internacional, de modo a possibilitar a difusão do conhecimento da literatura brasileira, especificamente à memória de Clarice. 

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