LITERATURA

Pernambucana Cida Pedrosa vence categoria Livro do Ano e se destaca no Prêmio Jabuti


Cida Pedrosa enxerga que ter a sua obra reconhecida como Livro do Ano é um agente de transformação da presença feminina na literatura

Yuri Nery
Yuri Nery
Publicado em 27/11/2020 às 17:06
Jan Ribeiro/Divulgação
FOTO: Jan Ribeiro/Divulgação
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A 62ª edição do Prêmio Jabuti, o mais tradicional prêmio literário do Brasil divulgou nesta quinta-feira (27) os vencedores deste ano. A escritora Djamila Ribeiro, autora do Pequeno Manual Antirracista”, levou a categoria ciência humanas. E o nome de uma pernambucana se destacou entre os ganhadores. A escritora Cida Pedrosa teve o livro de poesia Solo Para Vialejo eleito como o livro do ano na premiação. A autora não esconde a felicidade com o título recebido e destaca a importância desse reconhecimento para as mulheres.

“Primeiro eu estou muito feliz. Porque Pernambuco ganhou, porque eu sou mulher, porque ainda existe uma discriminação enorme com a literatura de mulheres”, disse.

A escritora ressalta a majoritariedade da presença masculina do acervo literário brasileiro. E acredita que o de receber o Prêmio Jabuti de livro do ano, pode ser um agente de transformação para outras mulheres também possam ganhar. Com destaque para as autoras negras.

“Quando você vai ver o cânone da literatura brasileira, ele é muito masculino e é branco. Por isso a importância de uma Djamila ganhar (...) Entre os cinco primeiros colocados, estava Bell Puã, daqui. Que é uma autora importante de poesia. Uma autora negra. Eu estou muito empolgada com a possibilidade de essa premiação se transformar algo mais coletivo, mesmo, para outras mulheres irem à luta”, detalhou.

O tempo e a inspiração

O processo de criação do livro Solo Para Realejo, durou dois anos. Cida explica que isso de deu pela falta de tempo para uma dedicação mais integral à escrita. “Eu passei dois anos escrevendo. E como eu trabalho demais, eu não consigo escrever todos os dias, como a maioria dos autores fazem. Eu só consigo escrever quando tem feriadão, ou quando eu tiro férias (...) O meu processo é muito mais longo por causa dessa ausência de tempo”, comentou.

A obra, que retrata uma viagem de encontro da autora com ela mesmo, a transporta para um particular de memórias e de histórias com o Sertão. “Esse livro é na verdade uma grande viagem, minha, para dentro de mim mesma. E também um percurso da diáspora do mar para o Sertão. Eu faço a migração ao contrário. Eu vim do Sertão, para o mar, com 14 anos. Neste livro é como se eu estivesse em busca de mim mesma, voltando”, complementou.

Pernambuco no Jabuti

Outros autores do estado concorreram na 62ª edição do Prêmio Jabuti, como a escritora Bell Puã, que também foi indicada à categoria Poesia com o livro Lutar é Crime (Letramento); o fotógrafo Fred Jordão, com Recife - Fotografias: 1986-2018 (Cepe), na categoria Artes; enquanto na categoria História em Quadrinhos estava O Obscuro Fichário dos Artistas Mundanos (1934-1958), lançado pelo selo HQ da Cepe, com roteirização de Clarice Hoffmann e Abel Abel Alencar, e ilustração de Maurício Castro, Greg, Paulo do Amparo e Clara Moreira.


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