Após caso em jogo da Champions League, relembre atos de racismo no futebol do Brasil

Jogadores do PSG e do Istambul pararam partida em protesto; casos de racismo tiveram grande repercussão nos últimos anos no futebol

ESPORTE
Após caso em jogo da Champions League, relembre atos de racismo no futebol do Brasil

Jogadores protestam contra caso de racismo ocorrido em campo na partida da Liga dos Campeões - Foto: Franck Fife/AFP

Na última terça-feira (9), repercutiu mundialmente a histórica decisão tomada pelos jogadores do PSG e do Istanbul pela última rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa. Na ocasião, os atletas abandonaram a partida e deixaram o campo, acusando racismo do quarto árbitro, o romeno Sebastian Coltescu, contra um membro da comissão técnica do time turco, o camaronês Pierre Webo.

Entre os apoiadores da atitude, está o jogador do PSG Neymar, que postou em suas redes sociais uma foto com um punho fechado e a frase "Black Lives Matter", que em português quer dizer "Vidas Negras Importam".

Com o protesto dos jogadores, a partida foi encerrada e a Uefa confirmou que o jogo será retomado nesta quarta (9), com nova equipe de arbitragem. Além disso, a organização anunciou que abriu investigações para apurar os acontecimentos envolvendo o quarto árbitro. 

No Brasil, vários casos envolvendo racismo durante partidas de futebol já repercutiram bastante ao longo dos anos. Relembre alguns deles abaixo:

Um dos mais famosos aconteceu com o ex-goleiro Aranha, em 2014, que na época defendia o Santos em uma partida contra o Grêmio. Torcedores do time gaúcho foram flagrados proferindo xingamentos racistas contra ele. Na época, o time chegou a ser excluído da Copa do Brasil.

Já o ex-jogador Grafite, que jogou no Santa Cruz, sofreu em campo com o racismo, no primeiro caso que ganhou mais repercussão no futebol sul-americano. Em 2005, quando defendia o São Paulo em partida da Copa Libertadores, o então atacante foi chamado de "negro de merda" pelo zagueiro argentino Desábato, do Quilmes. Grafite acabou expulso pela briga e o defensor recebeu voz de prisão ainda no Morumbi. Desábato passou duas noites na cadeia, pagou fiança de R$ 10 mil e pôde retornar à Argentina.

Na época, o atacante decidiu não prestar queixa-crime, mas hoje diz que conduziria o caso de forma diferente. Nesta entrevista ao Estadão, Grafite admite que é difícil para esportistas se posicionarem contra o preconceito e torce para que o engajamento atual se torne permanente.

Casos com times de Pernambuco

Em 2019, o jogador Rafael da Costa, então com 17 anos, foi vítima de injúria racial. O atleta do sub-20 do Sport estava atuando em partida do Estadual, contra o Barreiros Futebol Clube, quando foi chamado de "macaco". Após o caso, o ex-goleiro do Santa Cruz, Náutico Nilson, que atualmente é técnico, mandou mensagem de apoio ao jovem, pois também foi vítima do mesmo tipo de crime. Em muitas partidas do tricolor do Arruda contra o Náutico, a torcida alvirrubra entoava cânticos imitando um macaco para tentar intimidá-lo. Este ano, Nilson virou protagonista da campanha do Náutico contra o racismo, com o lançamento de uma camisa preta.

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