IGUALDADE RACIAL

Empatia é ferramenta fundamental para alcançar a igualdade racial na sociedade, diz advogada


Presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-PE destaca vulnerabilidades enfrentadas pela população negra na pandemia do novo coronavírus

Yuri Nery
Yuri Nery
Publicado em 28/12/2020 às 16:50
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A pandemia da covid-19 provocou transformações no mundo inteiro durante o ano de 2020. E foi em uma velocidade praticamente incalculável que inúmeros acontecimentos marcaram o fim da segunda década do século XXI, entre eles as discussões que cercam as questões da igualdade racial, pauta extensamente debatida ao passo que crianças, adolescentes e adultos negros tiveram suas vidas interrompidas pelo racismo. A advogada e presidente da Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE), Manoela Alves, menciona alguns indicadores que situam a vulnerabilidade enfrentada por essa parcela da população durante a pandemia.

“Quando a gente fala de uma pandemia, a gente está diante de um contexto de caos na área da saúde. Quem é a principal população que se utiliza do SUS (Sistema Único de Saúde)? É a população negra. Quando a gente fala, por um exemplo, nesse contexto, em que a gente viu que as comunidades periféricas foram as mais atingidas? Quem é a grande maioria que mora nas periferias? É a população negra”, disse.

Vidas negras importam

A advogada também ressalta a empatia como ferramenta de extrema importância para construção de um caminho que possibilite a equidade racial na sociedade.

“A gente ouviu muito falar isso, principalmente nas redes sociais, sobre ‘vidas negras importam’. E por que a gente ouviu tanto falar disso (...), quando muita gente diz que todas as vidas importam? A gente sabe que todas as vidas importam. Mas quando a gente fala de um contexto de vulnerabilidade, as vidas negras são mais vulneráveis”, disse.

Manoela Alves explica que o fato de afirmar que as vidas negras importam “não anula a importância da vida de pessoas brancas”. Na verdade, isso “significa dizer que o Estado precisa de um olhar diferenciado para a população negra”, acrescentou.

Confira a íntegra da entrevista com a advogada Manoela Alves:


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