Especialista critica falta de competência técnica na condução do processo de vacinação no Brasil

Para a epidemiologista Ethel Maciel, o processo de vacinação deveria ser conduzido por técnicos do Plano Nacional de Imunização

PANDEMIA DO NOVO CORONAVíRUS
Especialista critica falta de competência técnica na condução do processo de vacinação no Brasil

Vacinação - Foto: Reprodução/NE10 Interior

A epidemiologista Ethel Maciel criticou a falta de organização do governo federal no tratamento com a pandemia do novo coronavírus. Segundo a especialista, no momento, o país não tem falta de dinheiro para compra de vacinas, mas, sim, sofre pela falta de coordenação por parte do Estado brasileiro. 

A análise foi feita no programa Passando a Limpo da Rádio Jornal nesta quarta-feira (10), quando a epidemiologista comentou a iniciativa de um grupo de empresários, coordenada pela dona do Magazine Luiza, Luiza Trajano, de ajudar no processo de vacinação até imunizar toda a população até setembro deste ano. 

“O problema não é a falta de dinheiro, mas a falta de negociação que o governo deixou de fazer no ano passado com a Pfizer e outros fabricantes que não nos possibilitaram até agora o acesso às vacinas”, comentou Ethel Maciel. 

A especialista também foi questionada sobre a vacinação na rede privada. “Não há problema do setor privado ter vacina. O problema é em uma pandemia. Nós estamos no meio do furacão. No meio do furacão, quem tem de ter a coordenação, e que não está acontecendo, infelizmente, é o Estado brasieliro. A gente não precisa do setor privado, a gente tem experiência de mais de 40 anos. Nós vacinamos 10 milhões de pessoas por dia, nos dias ‘D’. Nós temos capacidade e temos como fazer. O que há é uma falta de organização, infelizmente. Temos, neste momento, algumas pessoas que ocupam cargos e não conhecem o sistema, isso acaba travando o sistema. Pessoas que não conhecem, nunca participaram, não têm competência técnica”, afirmou a epidemiologista. 

Por outro lado, Ethel lembrou que há técnicos do Programa Nacional de Imunização (PNI) sendo subaproveitados. “Mas elas não estão à frente do processo. O que o governo tem de fazer é deixar que os técnicos fiquem à frente e coloquem o plano em ação”, disse. A especialista também criticou o fato de cada estado estar vacinando um grupo diferente, o que, na opinião da epidemiologista, confunde a população. 

Confira a entrevista na íntegra:

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