Política

Diferente do que afirmou em entrevista, deputado Daniel Silveira não matou 12 pessoas, diz TV


Em entrevista logo após ser empossado, deputado Daniel Silveira disse que matou “uns doze” em operações contra criminosos

Gabriel dos Santos Araujo Dias
Gabriel dos Santos Araujo Dias
Publicado em 22/02/2021 às 7:52
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Diferente do que o deputado Daniel Silveira afirmou em entrevista à revista Piauí, a reportagem da TV Globo checou os registros de ocorrência da época em que o parlamentar era policial militar do Rio de Janeiro e confirmou que o ex-PM jamais registrou casos de resistência ou de morte durante o trabalho. Silveira está preso por postar vídeo ameaçando ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e fazer apologia ao AI-5 da Ditadura Militar.

À Piauí, o deputado disse, em 2019, pouco após tomar posse que já tinha matado “uns 12, por aí”. “Não dá para contar quantas vezes acionei o gatilho. Mas não tive desvios de conduta, nunca matei ninguém. Não por erro. Devo ter o quê?! Uns 12, por aí. Mas dentro da legalidade. Em confronto policial. É sempre em confronto. Já fui alvejado também, patrulhando”, afirmou.

Mas os dados analisados pela TV Globo desmentem esse discurso. Ao longo da carreira de quase seis anos na corporação, Daniel ou “soldado Lúcio”, como era chamado, jamais matou nenhum opositor durante confronto armado. Ele foi PM entre 2012 e 2018.

Sem disparos de arma

Os dados analisados pela TV Globo também não encontraram nenhum registro de disparo da arma oficial do ex-PM. “Para ele ter atirado, tem que ter havido resistência de algum opositor. Se alguém atirou contra o policial, ele teria que ter feito um registro de ocorrência. Se não fez, oficialmente não existiu, ou ele prevaricou”, explicou um especialista em segurança pública ouvido pela reportagem da Globo.

A única “arma” encontrada por Daniel foi uma arma de airsoft, localizada no porta-malas de um carro que estava com três homens. A arma era para jogar paintball.

Prisão

Daniel Silveira, do PSL-RJ, está preso desde a semana passada após gravar e publicar um vídeo com ofensas e ameaças a ministros do STF. Segundo interlocutores, Daniel teria gravado o vídeo para "impressionar" o presidente Jair Bolsonaro, de quem o parlamentar é aliado. A Câmara dos Deputados investiga a conduta de Silveira e pode cassar o mandato dele.


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