Ex-ministro da Saúde, Mandetta afirma que Bolsonaro boicotou a prevenção contra a covid-19 e cometeu infrações mais graves do que Dilma

Em entrevista à Rádio Jornal, Mandetta disse que erros de Bolsonaro custaram vidas e se disse a favor do impeachment do presidente

PANDEMIA DO NOVO CORONAVíRUS
Ex-ministro da Saúde, Mandetta afirma que Bolsonaro boicotou a prevenção contra a covid-19 e cometeu infrações mais graves do que Dilma

Luiz Henrique Mandetta - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ministro da Saúde durante o início da pandemia do novo coronavírus, Luiz Henrique Mandetta viu, de dentro do governo federal, uma sequência de erros que, na avaliação dele, custou vidas. Em entrevista à Rádio Jornal na manhã desta quinta-feira (4), o ex-ministro, que é médico, disse que o presidente da República, Jair Bolsonaro, boicotou os processos de prevenção, dificultou a testagem e cometeu crimes contra a saúde pública. 

“Essa é uma doença que não causa um problema individual. É uma doença que ataca toda a sociedade, todos os setores. Então, [na época,] precisamos colocar princípios como a defesa do SUS e a tomar decisão pela ciência. Precisamos definir eixos, como a prevenção. Lavar as mãos, usar álcool em gel, manter o distanciamento. Mas o presidente [Bolsonaro] disse que não. Ele boicotou toda a prevenção e isso foi um erro capital. Se a gente tivesse lavado a mão oito vezes por dia e mantido o distanciamento, nós teríamos muito menos casos. Na semana passada, ele ainda falou que máscara fazia mal”, recordou Mandetta. 

O ex-ministro criticou a postura de Bolsonaro de atrapalhar a realização de testes para identificar casos de Covid-19. Na avaliação do médico, os testes são necessários para identificar as pessoas que estão doentes, separar estes indivíduos e impedir a transmissão do vírus. “Isso fez a gente ficar no escuro”, disse Henrique Mandetta. 

Falta de vacina e de campanha de conscientização

Mandetta também criticou a falta de articulação do governo em fechar acordos para a compra de vacinas. Na entrevista, ele lembrou que, se o Brasil tivesse fechado compra de imunizantes da Pfizer em agosto, o país teria recebido doses da vacina em janeiro. “Mas anunciou ontem a compra das vacinas da Pfizer e essas vacinas só vão chegar no país no final do ano. Não existe vacina pronta na prateleira”, comentou o ex-ministro. 

À Rádio Jornal, Luiz Henrique Mandetta também explicou porque dava entrevistas diárias no início da pandemia. “Não havia campanha de conscientização. Então, eu decidi falar diretamente nos boletins para que a imprensa livre pudesse pudesse fazer chegar à população as informações sérias e diminuir as fake news”. 

Impeachment de Bolsonaro

Ex-deputado federal, Mandetta foi questionado se votaria a favor do afastamento do presidente Jair Bolsonaro. Ele disse que sim. “O presidente tem várias infrações muito maiores que as da então presidente Dilma. Ele tem crime contra a saúde pública. Forçar com que as pessoas transmitam a doença, propor medicamentos que não têm eficácia, minar a confiança nas vacinas é crime contra a saúde pública. Eu votaria pelo impeachment”, disse Mandetta, ponderando que o ambiente político atual dificultaria o processo.

Convite X Realidade

Na entrevista, o ex-ministro também fez uma análise entre o convite para ser ministro e o que aconteceu de fato quando tomou posse. "Recebi a proposta para ser um técnico, para montar  uma equipe técnica. Por isso, chamei os melhores profissionais em saúde pública no Brasil. No entanto, quando um real problema de saúde apareceu, não quiseram que as medidas fossem técnicas, mas, sim, políticas", analisou. 

Ouça a entrevista na íntegra:

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