QUARENTENA

Cientista não enxerga efeito em quarentena de 11 dias: 'é só para aliviar os 100% de ocupação dos leitos'


Para Jones Albuquerque, professor e cientista do Laboratório de Imunopatologia Keizo-Asami da UFPE, os países que controlaram a pandemia ficaram mais de 50 dias em quarentena

Rádio Jornal
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Publicado em 24/03/2021 às 17:12
Renata Araujo/TV Jornal Interior
FOTO: Renata Araujo/TV Jornal Interior
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A Secretaria de Saúde de Pernambuco confirmou, nesta quarta-feira (24), mais 2.738 novos casos da covid-19 nas últimas 24h. Esse é o registro mais alto do Estado desde o início da pandemia do novo coronavírus, em março do ano passado. O novo recorde - o anterior tinha sido no dia 30 de dezembro de 2020, com 2.512 infectados - chega no sétimo dia da quarentena decretada pelo Governo na tentativa a conter a propagação do vírus.

Entretanto, segundo o epidemiologista Jones Albuquerque, professor e cientista do Laboratório de Imunopatologia Keizo-Asami da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o período de 11 dias não será suficiente para controlar o coronavírus no Estado. "Infelizmente parece que não. O nome quarentena é de 40 dias e adotamos isso para curar, salvar vidas, mas estamos chamando quarentena um período de dez dias, 11 dias. Os países que controlaram a pandemia no regime de quarentena fizeram, em uma média já calculada, entre 54 a 56 dias. A gente está querendo fazer isso com dez dias. Nem que ficasse todos travados e ninguém circulasse nas ruas, nem carro, motos, ônibus, metrô, nada. Aí sim teríamos uma chance. Mas do jeito que estamos indo, a gente está tentando aliviar os 100% de ocupação dos leitos, pois a infecção continuará com a gente. Os outros países já viveram isso e nós estamos há um ano cometendo os mesmos erros", explicou o especialista.

Ainda segundo o cientista, o brasileiro não aprendeu a lidar com a covid-19. "Não aprendemos a conviver com o coronavírus. Os outros países já aprenderam. Vários deles, pobres inclusive, hoje tem uma vida quase normal. Aprenderam a manter distância de dois metros dos indivíduos, usar máscara corretamente, conseguiríamos conter sim. Bastaria seguir isso, com algum rigor, respeitando o protocolo de segurança que o governo listou, que teríamos uma vida muito mais tranquila e não precisaria ter levado tanta gente a óbito", lamentou Jones Albuquerque.

FENÔMENO DA NATUREZA

Para o médico epidemiologista, como o coronavírus é um fenômeno da natureza, a população precisa aprender a se adaptar a esse momento de pandemia que estamos vivendo. "As pessoas precisam entender que o vírus é um fenômeno da natureza. Fato. Igual a maré do mar. Alguém consegue controlar a maré alta ou a maré baixa? Não. A gente se adapta a ela. A gente constrói um cais, coloca boias... É assim que nos adaptamos aos fenômenos da natureza. O coronavírus também é um fenômeno da natureza. Ou nos adaptamos a ele, ou a saturação dos leitos irá se agravar ainda mais. Se isso acontecer, o Governo pode apertar ainda mais as regras, levando vários sistemas a colapsar... Comerciais, pequenos empreendedores. Estamos numa situação tão crítica que vai faltar insumos nos hospitais para cuidar dos doentes e isso vai agravar em toda a situação da saúde", contou Jones Albuquerque, professor e cientista do Laboratório de Imunopatologia Keizo-Asami da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

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