Estamos em uma orquestra e cada músico quer cantar sua música, diz especialista ao criticar lentidão na vacinação contra covid-19

Segundo o cientista do Instituto para Redução de Riscos e Desastres de Pernambuco Jones Albuquerque, se continuar do jeito que está, o Brasil precisa de 21 meses para vacinar 70% da população.

VACINAçãO CONTRA COVID-19
Estamos em uma orquestra e cada músico quer cantar sua música, diz especialista ao criticar lentidão na vacinação contra covid-19

Vacinação em Caruaru acontece no Espaço Cultural Tancredo Neves. - Foto: Janaína Pepeu

O Brasil vai precisar de 21 meses para vacinar 70% da população e alcançar a esperada imunidade de rebanho contra a covid-19, se continuar com o atual ritmo de vacinação. O cálculo foi feito pelo cientista do Instituto para Redução de Riscos e Desastres de Pernambuco Jones Albuquerque, na manhã desta quinta-feira (1º), no Passando a Limpo, da Rádio Jornal. 

Na entrevista, Jones criticou a lentidão do atual processo de vacinação do país, que já foi referência mundial em outras campanhas de imunização. “Começamos a vacinar em janeiro e ainda não passou de 10% da população imunizada em nenhum lugar. Fazendo a conta, vamos precisar de 21 meses para vacinar 70% da população”, alertou. De acordo com os médicos epidemiologistas, com 70% da população imunizada, o vírus deve parar de circular na sociedade. 

“Isso deixa tudo em um cenário muito nebuloso. Parece um descontrole absoluto, logístico, e olhe que nosso ex-ministro de Saúde [Eduardo Pazuello] era justamente da área de logística e distribuição. Parece inocência, para não usar uma palavra mais forte. Poderia ser incompetência, pois o sistema de vacinação brasileiro é referência mundial. Eu já estive em lugares externos, em conferências sofisticadas, e o pessoal falando do Brasil sem nem saber que eu era brasieliro”, recorda Albuquerque. 

O especialista criticou a falta de coordenação no processo de vacinação. “Estamos em uma orquestra e músico um quer cantar sua música. Falta um maestro”, disse. 

Ouça a entrevista na íntegra:

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