São Jorge: conheça a história do Santo Guerreiro, homenageado neste 23 de abril

Apesar da grande devoção de religiosos, não há certeza se São Jorge realmente existiu

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São Jorge: conheça a história do Santo Guerreiro, homenageado neste 23 de abril

São Jorge é lembrado nesta sexta - Foto: Reprodução

São Jorge é um dos santos mais famosos do país. Em estados como o Rio de Janeiro, por exemplo, o dia 23 de abril chega a ser feriado (embora, neste ano, a data tenha sido antecipada por conta da covid-19). Forte e destemido, o santo é sempre lembrado por católicos, sincréticos e até por torcedores de times esportivos, como o Corinthians. 

Jorge é o padroeiro da Inglaterra e recebe pedidos da Espanha, Portugal, Canadá, entre outros países. Sua imponência é tão grande, que é venerado pelas duas grandes correntes do catolicismo: a Igreja Romana e a Ortodoxa. Sua fama se deve, entre outros motivos, a crença de que morreu por ser cristão e não negar sua fé. 

 

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Biografia de São Jorge

De acordo com a história, Jorge teria nascido por volta do ano 280 depois de Cristo, na Capadócia, Túrquia. Anos mais tarde, mudou-se para a Palestina e se alistou a exército do Império Romano - daí a explicação de ser um soldado em cima de cavalo branco. 

Naquela época, por ordem do imperador Diocleciano, os soldados deveriam perseguir e matar cristãos. No entanto, Jorge se negou a fazer isso. Por esta razão, diz a tradição, foi ele mesmo decapitado em 23 de abril do ano 303 d.C. 

O local do assassinato de Jorge, entretanto, é incerto. Há relatos que dão conta da morte ter acontecido em Israel ou na própria Turquia, onde ele nasceu. 

Santo

"Nos séculos VI e VII já há padres da igreja mencionando São Jorge. Com o fim da perseguição aos cristãos e depois com a cristianização do Império Romano em 380 dC, uma memória dos cristãos que deram sua vida antes dos transformou em mártires", disse ao portal UOL, o professor do departamento de História da PUC-SP, Fernando Torres Londoño. 

"Com as conquistas dos cristãos do norte de Espanha sobre os territórios ocupados pelos reinos árabes, os santos associados à cultura militar tiveram grande valorização, entre eles São Jorge. Ele passou a ser visto como protetor dos cristãos contra os mouros, como se necessário aparecido no céu para acompanhar os cristãos nas suas vitórias ", acrescentou Londoño. 

De acordo com os historiadores, as cruzadas foram responsáveis por dar ainda mais força à imagem de São Jorge. "Com as primeiras cruzadas, a fama de São Jorge se expandiu ao retorno dos soldados à Europa. Capelas em nome do santo que teria protegido os cristãos dos cristãos se levantaram por toda Europa e um dos símbolos do santo, uma cruz com as quatro pontas iguais em vermelho, se espalhou por brasões e bandeiras ", afirmou Londoño na entrevista ao UOL.

Apesar disso tudo, não há confirmação de que Jorge realmente existiu. "Não temos muitos registros históricos sobre a figura de São Jorge. Temos aquilo que nos passado pela tradição", comentou o professor e coordenador do curso de Teologia da PUC-SP, Dayvid da Silva, ao UOL.

Lenda do dragão

Em 1920, um escriba dominicano reuniu histórias dos primeiros santos. No livro "Lenda Dourada", a história de São Jorge ganhou novas informações. 

Ao contar a história de Jorge, o escriba falou sobre a história de uma região que sofria com um dragão que contaminava a água e queimava casas. Para acalmar o dragão, virgens eram oferecidas em sacrifício ao monstro. 

"Quando foi a vez da filha do rei, São Jorge teria aparecido montado em seu cavalo. Vencer o dragão, o santo teria cortado a cabeça do animal. Toda a cidade se converteu ao cristianismo depois do episódio", disse Londoño.

Sincretismo brasileiro

No candomblé e na umbanda, São Jorge recebe o nome de Ogum. "O sincretismo religioso nada mais é do que uma atualização da fé do conquistado. Quando os portugueses exigiram para o Brasil e impuseram a fé católica, os escravos negros da matriz africana adaptaram a fé deles. Então, São Jorge virou Ogum, que é o orixá guerreiro ", lembrou Silva.

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