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Vacina contra covid-19: Pernambuco não recebeu quantidade necessária para 2ª dose, diz superintendente de Imunização da SES

Pernambuco deveria ter recebido cerca de 120 mil doses da CoronaVac, vacina contra a covid-19, mas recebeu apenas 28 mil doses

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 26/04/2021 às 16:31
Rovena Rosa/Agência Brasil
FOTO: Rovena Rosa/Agência Brasil
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A superintendente de Imunização da Secretaria Estadual de Saúde, Ana Catarina Melo, revelou, que Pernambuco não recebeu do Ministério da Saúde a quantidade suficiente para aplicar a segunda dose da vacina contra a covid-19, CoronaVac. A informação foi dada nesta segunda-feira (26).

De acordo com a Ana Catarina Melo, Pernambuco deveria ter recebido cerca de 120 mil doses da vacina, mas só recebeu 28 mil. “Nós não recebemos a quantidade necessária para administração de segunda dose para a vacina CoronaVac. Nós deveríamos ter recebido cerca de 120 mil doses. Recebemos 28 mil. Isso pode atrapalhar na execução da segunda dose da CoronaVac, já que o Ministério da Saúde informou que vai tentar regularizar o abastecimento na primeira semana de maio. Nós vamos ficar duas semanas sem a quantidade necessária para a vacina de segunda dose e isso pode comprometer as ações de vacinação”, detalhou.

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Primeira dose não foi perdida

A superintendente de Imunização da SES-PE explica que, apesar do atraso, quem tomou a primeira dose da CoronaVac não irá perder a aplicação. “É importante reforçar que quem fez a primeira dose e chegar o prazo para fazer a segunda dose, não terá prejuízo se não fizer essa segunda dose naquele momento. Ele não vai perder essa primeira dose. É importante que os municípios façam o levantamento de quem são essas pessoas que vão perder essa segunda dose para que, assim que a vacina chegue, eles consigam fazer essa vacinação e que a população não seja prejudicada”, disse.

Problema não afeta aplicação da Astrazeneca

Segundo a superintendente de Imunização da SES-PE, o problema não afeta a aplicação da vacina Astrazeneca. “Para a vacina Astrazeneca a gente não tem problema. O abastecimento está regular, inclusive com um volume cada vez maior. O grande problema foi para as segundas doses da vacina CoronaVac”, explicou.

Ministro da Saúde admite atraso

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, admitiu, nesta segunda-feira (26), que há "dificuldade" no fornecimento de vacinas para aplicação da segunda dose da CoronaVac. A declaração foi dada durante sessão da comissão do Senado que discute medidas de combate à doença.

"Tem nos causado certa preocupação a CoronaVac, a segunda dose. Tem sido um pedido de governadores, de prefeitos, porque, se os senhores lembram, cerca de um mês atrás se liberou as segundas doses para que se aplicassem. E agora, em face de retardo de insumo vindo da China para o Butantan, há uma dificuldade com essa 2ª dose", declarou Queiroga no Senado.

O ministro informou que a previsão é de que novas doses da vacina CoronaVac só sejam distribuídas pelo Instituto Butantan daqui a 10 dias. Sem dar detalhes, ele informou que a pasta deve emitir nos próximos dias uma nota técnica sobre a aplicação da segunda dose de vacinas contra a covid-19.

Marcelo Queiroga lembrou que essa é uma preocupação da pasta há mais de um mês quando o ministério autorizou a utilização imediata de todas as vacinas contra a covid-19, sem a necessidade de manutenção de estoques para aplicação da segunda dose.

Agora, “em face do retardo dos insumos vindos da China para o Butantan, há uma dificuldade com essa segunda dose”.

Cronograma

Sobre os motivos para redução no número de vacinas disponíveis em relação ao divulgado pelo ex-ministro da pasta Eduardo Pazuello, Queiroga disse que um deles está relacionado ao fato de a estimativa ter incluído 20 milhões de doses da Covaxin, do Instituto Bharat Biotech. A importação, em caráter excepcional, de doses da vacina Covaxin, da farmacêutica indiana Bharat Biotech foi negada no mês passado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Outro fator que contribuiu para um menor número de doses foi a demora na chegada do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), que vem da China. O atraso comprometeu a entrega do imunizante contra a covid-19 tanto pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) quanto pelo Instituto Butantan.

“O IFA, como os senhores sabem, é originário da China, e isso sempre dá uma variação, que pode ser para maior ou pode ser para menor. Questões logísticas também estão aqui consideradas. O fato é que temos trabalhado fortemente para conseguir mais doses”, garantiu.

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