VIOLÊNCIA

Após serem flagrados furtando carne em supermercado, tio e sobrinho são achados mortos com sinais de tortura


Família denuncia que seguranças do supermercado entregaram tio e sobrinho a traficantes

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 30/04/2021 às 18:59
Reprodução/ Redes Sociais
FOTO: Reprodução/ Redes Sociais
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Dois homens de uma mesma família foram encontrados mortos com sinais de tortura em Salvador, na Bahia, na última segunda-feira (26). Segundo a Polícia Civil, eles foram atingidos por disparos de arma de fogo. Inicialmente, a polícia informou que a motivação do crime estava relacionada ao tráfico de drogas. No entanto, nesta quinta-feira (29), a família revelou que eles teriam sido mortos após serem flagrados furtando carne no supermercado Atakarejo.

Bruno Barros da Silva, de 29 anos, e seu sobrinho, Ian Barros da Silva, de 19 anos, foram identificados na terça-feira (27). Segundo o Portal G1, uma amiga de Yan enviou áudios para ela contando o que havia ocorrido e pediu R$ 700 para evitar que ele e o tio fossem entregues a traficantes pelos seguranças do estabelecimento.

Os seguranças teriam cobrado dinheiro das vítimas que liberar Bruno e Ian. Entre as mensagens e ligações, Bruno pediu para chamar a polícia para evitar que ele fosse entregue aos traficantes.

Segundo ela, na última ligação, Bruno apelou que ela fosse até o local. A mulher entrou em contato com os policiais, através de central telefônica, mas não conseguiu evitar as mortes. "‘Eu vou morrer! Não me deixa morrer, não! Vem para cá! Chame a polícia para me prender’. Foi a última coisa que ele me falou. Depois eu não consegui mais falar com ele. Cheguei a ligar para o 190, registrar uma queixa, mas não adiantou, porque quando a polícia chegou, já era tarde demais”, disse a amiga de Ian ao Portal G1, que preferiu não se identificar.

As fotos de Bruno e Ian rendidos no chão do supermercado e com alguns pacotes de carne circulam nas redes sociais.

Na quinta-feira, a família de Bruno e Ian realizaram um protesto no bairro de Fazenda Coutos, em Salvador, onde os homens moravam, cobrando justiça pelo crime.

Resposta do hipermercado

Supermercado publicou uma nota nos stories do Instagram
Supermercado publicou uma nota nos stories do Instagram
Reprodução/ Redes Sociais

Nas redes sociais, o Atakadão Atakarejo publicou uma nota nos stories e disse ter "comprometimento com a observância dos direitos humanos e com a defesa da vida humana digna, não compactuando com qualquer tipo de violência". A rede de supermercados disse ainda que está colaborando com as investigações.

Veja a nota publicada nos stories da rede atacadista:

"O Grupo Atakadão Atakarejo reitera o seu comprometimento com a observância dos direitos humanos e com a defesa da vida humana digna, não compactuando com qualquer tipo de violência.

O Atakarejo é uma empresa séria, sólida e cumpridora das normas legais, que possui rigorosa política de compliance e que não compactua com qualquer ação criminosa.

Em relação aos fatos ocorridos na última segunda-feira (26), o grupo está colaborando integralmente com a investigação policial e já entregou todos os documentos e imagens do sistema de segurança aos órgãos competentes para o esclarecimento do caso.

A empresa ressalta que repudia veemente qualquer tipo de violência e se solidariza com a família das vítimas neste momento tão difícil. O grupo aguarda o encerramento das investigações, que correm em segredo de justiça, para a elucidação do caso e espera a punição de todos os culpados".

Polícia

A Polícia Militar informou que a 40ª CIPM não foi acionada para atender a ocorrência. No entanto, assim que tomou conhecimento de que teria ocorrido um possível furto no Atakadão Atakarejo, a unidade deslocou uma equipe até o local. Quando chegou, funcionários teriam negado o fato.

A Polícia Civil contou que algumas testemunhas foram ouvidas na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa e as investigações estão avançadas. Segundo o órgão, já há indicativo de autoria e policiais realizam diligências para encontrar os suspeitos. A Polícia Civil informou que mais detalhes não podem ser divulgados para não interferir no andamento das apurações.


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