Vacinação contra covid-19

Risco de trombose por causa de vacina é milhares de vezes menor do que pela infecção por covid-19, explica médico da Fiocruz


Segundo o médico Júlio Croda, “não existe lógica em não receber vacina contra covid-19 pelo risco de trombose”

Gabriel dos Santos Araujo Dias
Gabriel dos Santos Araujo Dias
Publicado em 04/05/2021 às 11:19
Tânia Rêgo/Agência Brasil
FOTO: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Raríssimos casos de trombose que podem estar relacionados com efeitos colaterais causados por vacinas contra a covid-19 acabaram ganhando bastante repercussão nas redes sociais nos últimos tempos. Quem é crítico do processo de vacinação usa alguns números isolados para defender - inadequadamente - que as pessoas não sejam imunizadas. No entanto, à luz da Ciência, o médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, Júlio Croda, esclarece que os riscos de desenvolver trombose por causa da vacina contra a covid-19 é milhares de vezes menor do que os riscos de desenvolver o mesmo problema em razão da contaminação pelo próprio novo coronavírus.

“A chance de ter um coágulo por causa da vacina é bem menor do que ter o coágulo por causa da covid-19. Enquanto o risco de apresentar trombose pelo uso de uma vacina como a da AstraZeneca é de 0,0004%, se você tem covid, você tem 16% de apresentar trombose”, explicou o especialista em entrevista ao Passando a Limpo, da Rádio Jornal, na manhã desta terça-feira (4).

Ainda de acordo com Croda, os riscos de trombose por causa de vacinas contra a covid-19 também é menos comum do que tromboses relacionadas ao uso de anticoncepcionais ou por gravidez. “Não existe lógica de não se vacinar pelo risco de trombose”, disse o médico.

De acordo com o jornal espanhol El País, até o dia 4 de março, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) registrou 222 casos de trombose entre 35 milhões de vacinados com a fórmula da AstraZeneca. Isso significa um caso em cada 175 mil pessoas vacinadas, o que é considerado um número baixo pelos especialistas.

Erros de comunicação

Durante a entrevista, o especialista também criticou a condução do presidente Jair Bolsonaro na gestão da pandemia no Brasil. “Bolsonaro quando falou que as pessoas iam virar jacaré, que a vacina era da China e não funcionava, tudo isso é uma falta de comunicação adequada, de estímulo para a população se vacinar. Se os apoiadores do presidente não tomarem, a gente não vai atingir a imunidade de rebanho. Isso impacta no número de casos e de óbitos”, analisou.

Ouça a entrevista na íntegra:


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