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Ter plano de saúde não garante leito de covid-19, explica presidente do Sindicato dos Hospitais de Pernambuco


Alta dos casos de covid-19 em Pernambuco tem sobrecarregado os hospitais do Estado, que estão próximos de um colapso

Atualizada às 11h41
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Publicado em 26/05/2021 às 11:20
Leo Motta/JC Imagem
FOTO: Leo Motta/JC Imagem
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O presidente do Sindicato dos Hospitais de Pernambuco (Sindhospe), George Trigueiro, está preocupado com o descontrole da covid-19 no Estado e aponta que o ritmo lento da vacinação está diretamente ligado à situação. Em entrevista ao Passando a Limpo, nesta quarta-feira (26), ele alertou que mesmo pacientes com plano de saúde estão enfrentando dificuldades para conseguir um leito.

"Hoje nós estamos, nos hospitais privados, com uma taxa de atendimento ou de letalidade de mais de 15% mais alta do que em agosto de 2020. Estamos vivenciando uma segunda onda porque não conseguimos fazer uma imunização efetiva. A vacinação da covid está progredindo em ritmo muito lento”, apontou Trigueiro.

O presidente do Sindhospe se preocupa com o início das chuvas. “Estamos chegando agora no período chuvoso, o que vai favorecer aglomerações e espaços fechados com transmissão de mais doenças respiratórias. Essa combinação pode ser trágica, pode favorecer a chegada de uma onda imediatamente", afirmou.

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Plano de saúde não é garantia de leito

George Trigueiro alerta que a situação nos hospitais privados é séria, com reabertura, inclusive, de mais leitos de UTIs. “Nós estamos com problema seríssimo nos hospitais privados, taxa de ocupação elevadíssima, ocupação de leitos que antes não estavam com covid já sendo ocupado com covid, além de reabertura de UTIs", disse.

Ele também comenta que a suspensão das cirurgias eletivas também tem impactado. “O que nós estamos vivenciando é que, embora os hospitais privados estejam sofrendo praticamente um colapso em termos econômico-financeiro - porque o ano passado ficamos quase sete meses sem cirurgias eletivas, esse ano já vamos em mais de dois meses sem cirurgias eletivas -, o momento não é mais de fazer essa reconsideração desse atendimento que não seja de urgência", contou.

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O presidente do sindicato também comenta a preocupação com a falta de insumos. "Os hospitais privados estão sofrendo. O perfil dos pacientes internados nas UTIs mudou. Esses pacientes passam mais tempo, cerca 20 a 30 dias usando medicamento, como o kit intubação, isso vai chegar um momento que vai causar desabastecimento. O Governo do Estado garantiu alguns fornecimentos até para hospitais privados. Mas está chegando um momento que a gente não está conseguindo mais comprar esses insumos", afirmou.

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Segundo George Trigueiro, mesmo pacientes com plano de saúde não estão assegurados de que conseguirão um leito na rede privada. "A situação é gravíssima. Tem gente já nas urgências de hospitais privados com plano de saúde diferenciado e que não consegue mais leitos nos hospitais. Elas precisam entrar na Central de Regulação [de leitos] do SUS. Isso não acontece só aqui em Pernambuco, não”, alertou Trigueiro, apontando que a rede privada de São Paulo e do Rio de Janeiro já vivenciam situação semelhante.

Vacinação lenta

George Trigueiro defende que, independentemente de qual vacina seja usada, a solução para retardar a chegada uma nova onda da covid-19 é o reforço da imunização. Ele defende um esforço mundial para acelerar o processo.

“É um cenário muito preocupante. Tem que haver um movimento mundial, onde os países que tiveram condições de fazer aquisição e estocar vacinas (...) distribuam para países mais carentes, esses que estão com surtos elevados, principalmente com a presença dessas novas variantes", afirmou, acrescentando a necessidade uma intervenção da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesse processo.


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