VIOLÊNCIA POLICIAL

Protesto no Recife: PM estava ali cumprindo ordens, diz presidente de associação policial


Duas pessoas, que não estavam participando do protesto, ficaram feridas após serem baleadas nos olhos por policiais militares

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 31/05/2021 às 19:30
Felipe Ribeiro/ JC Imagem
FOTO: Felipe Ribeiro/ JC Imagem
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Em entrevista ao programa Balanço de Notícias, nesta segunda-feira (31), o presidente da Associação de Cabos e Soldados de Pernambuco (ACS-PE), Albérisson Carlos, criticou o afastamento imediato dos policiais militares envolvidos nas agressões promovidas pela corporação, no último sábado (28), durante protesto contra o presidente Jair Bolsonaro e o Governo Federal, no centro do Recife.

Na ocasião, duas pessoas ficaram gravemente feridas após serem baleadas nos olhos policiais militares do Batalhão de Choque. Vítimas correm o risco de perder a visão e o globo ocular.

Para ele, o afastamento não deveria ter sido ordenado sem a apuração dos fatos. “Primeiro deve-se apurar todos os fatos para tomar as devidas medidas. Afastar alguém sem ter qualquer tipo de prova que o incrimine de fato é fazer um julgamento antecipado”, afirmou Albérisson. “A Polícia Militar estava ali cumprindo ordens acerca do decreto, bem como a recomendação do Ministério Público”, completou o presidente da ACS, em referência à proibição de aglomerações por conta da pandemia da covid-19.

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Em nota divulgada no final de semana, a associação afirma que os policiais evitavam que "a desordem" chegasse até o Palácio do Campos das Princesas, sede do Governo de Pernambuco. A manifestação, no entanto, ocorria de forma pacífica.

Durante a entrevista, o comunicador Ciro Bezerra lembrou que a última vez em que houve ameaça à sede do Poder Executivo Estadual ocorreu justamente em uma greve realizada por policiais militares, no início dos anos 2000.

Sobre o assunto, ele reconheceu que houve excesso por parte dos que fizeram o movimento naquele momento, mas disse que, sob o seu comando, nunca houve greves com excesso. Ele diz que não quer a generalização da categoria. “Queremos justiça, mas não queremos que generalize, para achar que a Polícia Militar é formada, num todo, por alguém que comete erro sempre. A polícia presta grandes serviços”, afirmou.

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Indagado se há orientação para que os policiais atirem na cabeça das pessoas, o presidente da associação diz ser preciso aguardar a conclusão da investigação para saber se houve a intenção dos policiais em atirar na altura do olho, mas defende que a situação foi um fato isolado. “Evidentemente que o treinamento que o Estado proporciona ao policial é para intervenção. Contra aquela imagem não tem como ter um argumento contrário. Aquele não é o procedimento da Polícia Militar. Aquilo foi um fato isolado. Ainda que aquele policial tenha errado e, tecnicamente, através de um inquérito, do que for instaurado, vai se provar ou não, vai se ver se houve a intenção de atirar no olho (...) Agora, se o policial se excedeu, e a imagem nos leva a crer isso, o que a gente defende é que ele também tenha a condição de se defender. Se dá a ampla defesa ao contraditório a um bandido. Para um cidadão policial também deve ser dado [o direito]”, defende.

Nota da ACS

No final de semana, uma nota da Associação de Cabos e Soldados de Pernambuco foi alvo de crítica por defender conduta abusiva dos policiais.

Veja a nota:


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