'Daniel está com dores no olho, inclusive no outro que não foi atingido', diz advogado de baleado por PMs em protesto no Recife

Duas pessoas foram atingidas nos olhos por balas de borracha disparadas por policias militares em protesto no Recife, no sábado (29)

VIOLÊNCIA POLICIAL
'Daniel está com dores no olho, inclusive no outro que não foi atingido', diz advogado de baleado por PMs em protesto no Recife

Daniel Campelo, 51, passava próximo à manifestação quando acabou atingido pelo tiro de bala de borracha no olho esquerdo - Foto: Hugo Muniz/Divulgação

O adesivador Daniel Campelo da Silva, 51 anos, que perdeu um olho após ser atingido por uma bala de borracha atirada pela Polícia Militar, se recupera em casa, mas sua situação ainda é grave, segundo revelou o advogado da família, Marcellus Ugiette. De acordo com ele, a vítima também está sentindo dores no olho que não foi atingido por PM. 

“A situação de Daniel ainda é grave. Daniel está com dores no olho, inclusive no outro olho que não foi atingido, mas deve estar sofrendo algum reflexo, e não está andando bem porque também teve lesões nas costas. A gente está avaliando com ele o que o Estado está propondo, o que a gente pode fazer do ponto de vista jurídico e judicial, e fazer isso de uma forma sensata e com cautela", contou o advogado.

 

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Segundo o advogado, a identificação dos autores dos disparos não é prioridade da família. "A questão da identificação dos autores dos disparos, ou da desorganização daquela ação policial, isso é problema do Governo do Estado com seus órgãos que fazem a investigação (...) A nossa causa é a questão dos direitos do cidadão, do senhor Daniel. A gente está avaliando a questão da indenização. Não pode ser uma coisa tão somente porque ele é uma pessoa pobre, dos Torrões”, disse. “[Queremos] Que o direito dele seja preservado, seja reconhecido, não apenas reconhecendo a culpa do Estado, mas reconhecendo o que ele tem direito. Ou seja, uma pensão vitalícia e uma indenização justas e dignas”, completou. 

Estado tenta identificar policial responsável por disparo

Em entrevista à TV Jornal, nesta quinta-feira (3), o secretário Estadual de Defesa Social, Antônio de Pádua, as investigações tentam, agora, identificar o policial responsável pelo disparo que feriu o Daniel. "As cenas que assistimos no sábado são injustificáveis. Repudiamos qualquer tipo de violência. A PMPE trabalha para proteger o cidadão. O que podemos garantir, nesse momento, é que estamos fazendo todas as investigações necessárias, possíveis, com maior transparência para que a gente possa dar a resposta a Daniel (...) Estamos tentando identificar justamente o policial que atirou e teria agredido o seu irmão, Daniel”, garantiu o secretário. 

Até o momento, segundo Pádua, oito PMs já foram afastados, inclusive o policial que atirou no outro de outra vítima, o arrumador de contêiner Jonas Correia de França, de 29 anos. Ele foi identificado nesta quarta-feira (2) pela Secretaria de Defesa Social. 

Relembre o caso

No último sábado (29), manifestantes ocuparam as ruas do Recife para protestar contra o governo Bolsonaro. A manifestação ocorria de forma pacífica, mas policiais militares do Batalhão de Choque usaram spray de pimenta e balas de borracha para dispersar a multidão. 

O adesivador Daniel Campelo da Silva, 51 anos, e o arrumador Jonas Correia de França, 29, foram atingidos no rosto por balas de borracha disparadas por policiais militares. Ambos tiveram lesões permanentes. Daniel, no olho esquerdo, e Jonas, no olho direito. Os dois seguem internados no Hospital da Restauração, no bairro do Derby, na área central da capital pernambucana.

Tanto Daniel Campelo quanto Jonas Correia não participavam do ato, mas foram atingidos quando passavam pelo Centro do Recife.  

Além deles, outras pessoas também ficaram feridas no ato, foi o caso da vereadora Liane Cirne Lins (PT). De dentro da viatura, policiais dispararam spray de pimenta no rosto da vereadora, que, sob o efeito do gás, caiu no chão após a agressão. Ela prestou uma queixa crime contra os policiais. 

Indenização

Uma reunião foi realizada nesta quarta-feira (2), na sede da Procuradoria Geral do Estado (PGE-PE), com os familiares dos feridos em ato contra o governo Bolsonaro no último sábado (29) no Recife. Segundo os familiares das vítimas, ficou acertado que os feridos irão receber do Governo de Pernambuco um auxílio emergencial no valor de um salário mínimo (R$ 1.100), auxílio alimentação e auxílio saúde até que uma indenização seja definida. 

O acordo foi feito entre parentes do adesivador Daniel Campelo da Silva, de 51 anos, e do arrumador de contêiner Jonas Correia de França, 29, e a Procuradoria Geral do Governo de Pernambuco (PGE-PE). 

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